Zika, um filme sobre mulheres

Junho/2016

zika_ilustra_thumbAs notícias sobre epidemias trazem números que impressionam, mas ao mesmo tempo distanciam o público da realidade vivida por cada pessoa diretamente atingida. Zika – o filme, dirigido pela antropóloga Debora Diniz, faz o efeito inverso: mergulha o espectador na dura realidade das grávidas esperando filhos microcéfalos e depois na sua vida de mãe. O documentário descreve a história de médicas e mães do Cariri, do Sertão e do Alto Sertão da Paraíba, que, juntas, fazem ciência e sobrevivem à epidemia do vírus Zika no Brasil.

“Zika é um filme sobre mulheres”, diz Debora. Ela explica o que chamamos de epidemia de zika tem um efeito concreto na vida de mulheres concretas, principalmente nordestinas, pobres, vivendo em regiões periféricas do país. Para a antropóloga, suas histórias clamam pela proteção imediata de direitos: à informação, ao planejamento familiar e proteção à maternidade e à infância.

“O enfrentamento integral da epidemia precisa colocá-las no centro da preocupação de saúde”, afirma a pesquisadora da Universidade de Brasília.

O documentário é comovente. Assista.

Leia mais:

Direito, saúde e reprodução – como combater o Zika Vírus?
Entrevista com Debora Diniz publicada em 19 de fevereiro de 2016 no site Anis – Instituto de Bioética.

Agilidade, bom senso e criatividade devem pautar critérios éticos de pesquisa em situações de emergência sanitária
Débora Diniz participou de debate na ENSP em 4 de abril de 2016

Artigo defende manutenção do calendário olímpico apesar do zika
Assinado por cientistas do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz e da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, o artigo apresenta evidências científicas que apontam para uma expectativa de baixo número de casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti em agosto.

Mosquito bom é mosquito morto?
Leia artigo de Denise Nacif Pimenta, pesquisadora da Fiocruz Minas, na revista Ciência Hoje e confira uma seleção de textos sobre a história do mosquito e das doenças que transmite

Aedes, velho inimigo
Em aula na Fiocruz, Jaime Benchimol conta as idas e vindas do mosquito que transmite febre amarela, dengue, zika e chicungunha e revela como a saúde pública lida com ele há mais de cem anos

Zefinha, a louca perigosa mais antiga do Brasil
Debora Diniz e Luciana Brito estudaram doze laudos psiquiátricos que ilustram três metamorfoses do arquivo judiciário: anormalidade, perigo e abandono. Leia artigo em HCS-Manguinhos

Leia em História, Ciências, Saúde – Manguinhos:

Teorias sobre a propagação da febre amarela: um debate científico na imprensa paulista, 1895-1903, artigo de Soraya Lódola e Edivaldo Góis Junior, vol. 22, n.3, jul.-set. 2015.

Cidade-laboratório: Campinas e a febre amarela na aurora republicana, artigo de Valter Martins, vol.22, n.2, jan./abr. 2015

Antiescravismo e epidemia: “O tráfico dos negros considerado como a causa da febre amarela”, de Mathieu François Maxime Audouard, e o Rio de Janeiro em 1850. Artigo de Kaori Kodama, vol.16, no.2, Jun 2009

A cidade e a morte: a febre amarela e seu impacto sobre os costumes fúnebres no Rio de Janeiro (1849-50)Artigo de Cláudia Rodrigues, vol.6, no.1, Jun 1999

Combates sanitários e embates científicos: Emílio Ribas e a febre amarela em São Paulo. Artigo deMarta de Almeida, vol.6, no.3, Fev 2000

Produzindo um imunizante: imagens da produção da vacina contra a febre amarelaArtigo de Aline Lopes Lacerda e Maria Teresa Villela Bandeira de Mello, vol.10, supl.2, 2003

Da ‘abominável profissão de vampiros’: Emílio Goeldi e Os mosquitos no Pará (1905)Artigo de Nelson Sanjad, vol.10, no.1, Abr 2003

Representação e intervenção em saúde pública: vírus, mosquitos e especialistas da Fundação Rockefeller no BrasilArtigo de Ilana Löwy, vol.5, no.3, Fev 1999

Dengue no Brasil. Marzochi, Keyla et al., vol.5, no.1, Jun 1998

 

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