Varia Historia traz dossiê sobre ciência, raça e eugenia na segunda metade do século XX

Fevereiro/2017

 

Comparison of white and negro fetuses. Cold Spring Harbor, www.eugenicsarchive.org

“Desde fins do século XIX, não só no Brasil, raça foi um dos temas mais recorrentes entre pensadores sociais, literatos e cientistas, sobretudo aqueles ligados à medicina, à antropologia e à história natural. Com a emergente discussão sobre evolução, saúde pública, imigração e ocupação dos territórios nacionais, o tema se tornou ainda mais premente, mobilizando uma série de ideias, teorias e explicações sobre a formação e o desenvolvimento biológico dos povos dos vários países do ocidente – que se pretendiam em processo de modernização -, o que teve como um dos desdobramentos o pensamento médico-eugênico. Miscigenação racial e degeneração, branqueamento e assimilação, classificações físicas e psicológicas dos grupos populacionais foram alguns dos assuntos privilegiados pelos cientistas e pensadores, sobretudo no Brasil, país visto pela comunidade científica internacional como “um laboratório racial”. Importante também foi a influência dos estudos sociais e de viés cultural, que tencionaram os discursos eugênicos e raciais, pautados no determinismo biológico. Desde meados do século XX, com a reconfiguração dos olhares sobre a diversidade humana, os debates ganhariam novos significados, orientados pelos pressupostos científicos da genética, dos estudos populacionais, dos estudos culturais e novas perspectivas das ciências sociais.” Assim começa a apresentação do dossiê Ciência, raça e eugenia na segunda metade do século XX: novos objetos e nova temporalidade em um panorama internacional, publicado na atual edição da revista Varia Historia (vol.33 no.61 jan./abr. 2017). A apresentação é assinada por Ana Carolina Vimieiro Gomes, Robert Wegner e Vanderlei de Souza. Acesse o sumário da edição. Sobre raça e eugenia, leia no Blog de HCS-Manguinhos: Com projeto ‘Enfermagem e raça’, Luiz Otávio Ferreira é contemplado em concurso da Fundação Carlos Chagas/Fundação Ford Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz estudará mecanismos de inclusão/exclusão de três escolas de enfermagem de 1920 a 1960 Eugenia, educação e políticas públicas no Brasil O historiador Jerry Davila explica que pensamento eugênico refletia-se nas práticas escolares e nos valores vigentes numa sociedade altamente discriminatória Roquette-Pinto e a valorização da mestiçagem Vanderlei Sebastião de Souza mostra o esforço científico do antropólogo na defesa da miscigenação do povo brasileiro O Brasil mestiço e viável de Roquette-Pinto Anpuh premia tese de Vanderlei Sebastião de Souza sobre o “retrato racial” do brasileiro feito por Edgard Roquette-Pinto Germanofilia de Rocha Lima marcou sua ‘persona’ científica Para André Felipe Cândido da Silva, o cientista não ficou famoso por causa da sua ligação com a medicina germânica inclusive durante o nazismo Pai da eugenia no Brasil ficou obscuro na história Defensor da ‘higiene racial’, o médico Renato Kehl assumiu a propaganda eugênica como missão política e intelectual entre 1917 e 1940 Leia em HCS-Manguinhos o dossiê Raça, Genética, Identidades e Saúde (ago 2005, vol.12, no.2): Tempos de racialização: o caso da ‘saúde da população negra’ no Brasil. Maio, Marcos Chor and Monteiro, Simone. Ago 2005, vol.12, no.2 Raça, genética & hipertensão: nova genética ou velha eugenia?Josué, Laguardia. Ago 2005, vol.12, no.2 Razões para banir o conceito de raça da medicina brasileiraPena, Sérgio D. J. Ago 2005, vol.12, no.2 O significado da anemia falciforme no contexto da ‘política racial’ do governo brasileiro 1995-2004Fry, Peter H. Ago 2005, vol.12, no.2 Natureza humana criada em laboratório: biologização e genetização do parentesco nas novas tecnologias reprodutivasLuna, Naara Antropologia, raça e os dilemas das identidades na era da genômicaSantos, Ricardo Ventura; Maio, Marcos Chor Sobre racismo, leia também em HCS-Manguinhos: Entre o exame do corpo infantil e a conformação da norma racial: aspectos da atuação da Inspeção Médica Escolar em São PauloRocha, Heloísa Helena Pimenta. Abr 2015, vol.22, no.2 Um Brasil melhor, Lesser, Jeffrey. Mar 2014, vol.21, no.1 Ciência, estética e raça: observando imagens e textos no periódico O Brasil Médico , 1928-1945Silva, Eliana Gesteira da and Fonseca, Alexandre Brasil. Nov 2013, vol.20, supl.1 O cientificismo das teorias raciais em O cortiço e Canaã. Tamano, Luana Tieko Omena et al. Set 2011, vol.18, no.3 Dilemas de uma etnografia da classificação racial em espaços institucionais. Cecchetto, Fátima. Mar 2011, vol.18, no.1 Charbel Physical anthropology and the description of the ‘savage’ in the Brazilian Anthropological Exhibition of 1882. Sánchez Arteaga, Juanma and Niño El-Hani. June 2010, vol.17, no.2 Arthur Neiva e a ‘questão nacional’ nos anos 1910 e 1920Souza, Vanderlei Sebastião de. Jul 2009, vol.16, supl.1 Do racismo clássico ao neo-racismo politicamento correto: a persistência de um erroLewgoy, Bernardo. Jun 2006, vol.13, no.2 Política social e racismo como desafios para historiadores da educaçãoFreitas, Marcos Cezar de. Dez 2004, vol.11, no.3 Ciência e racismo: uma leitura crítica de Raça e assimilação em Oliveira ViannaRamos, Jair de Souza. Ago 2003, vol.10, no.2 “De pequenino é que se torce o pepino”: a infância nos programas eugênicos da Liga Brasileira de Higiene MentalReis, José Roberto Franco. Jun 2000, vol.7, no.1 O Brasil no concerto das nações: a luta contra o racismo nos primórdios da UnescoMaio, Marcos Chor. Out 1998, vol.5, no.2 O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. Maio, Marcos Chor and Santos, Ricardo Ventura. Out 1994, vol.1, no.1

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