‘Um esforço deve ser realizado para que mais pesquisadores e tecnólogos atuem em vacinas no Brasil’ – Hermann Schatzmayr

Fevereiro/2016

Diante da emergência do zika vírus no país e suas graves consequências, é oportuna a leitura das palavras do pesquisador Hermann G. Schatzmayr (1936-2010), do Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, em artigo publicado em HCS-Manguinhos em 2003.

Hermann Schatzmayr. Foto de Fernando Vasconcelos/HCS-Manguinhos

Hermann Schatzmayr.
Foto de Fernando Vasconcelos/HCS-Manguinhos

“O Brasil, desde os trabalhos pioneiros de Oswaldo Cruz e Vital Brasil, seguidos por vários outros ao longo do século XX, foi capaz de produzir grande parte dos imunobiológicos que necessitava para a sua população. A partir da década de 1980 um plano nacional de investimentos em instalações e equipamentos nos produtores estatais resultou em uma grande revitalização da área, sendo atingida grande parte das metas propostas dentro das tecnologias então disponíveis.

Esse plano nacional não só permitiu o financiamento dos laboratórios produtores, como o Instituto Butantã (SP) e Bio-Manguinhos (RJ), como ainda estabeleceu metas e definiu o que caberia a cada grupo, evitando a superposição de atividades e estimulando a realização de pesquisas de desenvolvimento em comum de novos produtos.

Entretanto, nesse campo tecnológico, em que os novos desenvolvimentos ocorrem com grande rapidez, é necessário manter as pesquisas de boa qualidade, sem o que não se consegue avançar de modo efetivo. Estrategicamente, a par das aplicações em instalações, faltaram no país investimentos mais substanciais das agências financiadoras nas pesquisas básica e tecnológica aplicadas a vacinas e imunobiológicos em geral.

Assinale-se que nas últimas décadas ocorreu um grande crescimento do interesse no campo do desenvolvimento e da utilização de vacinas, bem como um grande aumento das taxas de cobertura vacinal no mundo. Isso foi acompanhado por um maior investimento no desenvolvimento de vacinas para uso humano e em suas técnicas de preparo em maiores volumes e de aplicação nas populações.

Um esforço deve ser realizado para que maior número de pesquisadores e tecnólogos atue na área de vacinas no país, reduzindo a dependência de tecnologia externa, em especial naquelas vacinas em que há mais interesse em sua obtenção pelos países em desenvolvimento.”

Hermann G. Schatzmayr (1936-2010) no artigo
Novas perspectivas em vacinas virais, publicado no suplemento
Imunização no Brasil: história e perspectivas, de HCS-Manguinhos (2003)

Leia em HCS-Manguinhos:

Novas perspectivas em vacinas virais, artigo de Hermann G. Schatzmayr (Vol. 10, supl. 2, 2003)

Bioterrorismo e microrganismos patogênicos, artigo de Hermann G. Schatzmayr e sua esposa, Ortrud Monika Barth, também pesquisadora do IOC/Fiocruz (vol.20, n.4, Oct./Dec. 2013)

Imunização no Brasil: história e perspectivas, suplemento de HCS-Manguinhos (Vol. 10, supl. 2, 2003)

Leia ainda em HCS-Manguinhos:

Cavalcanti, Juliana Manzoni. Rudolf Kraus em busca do “ouro da ciência”: a diversidade tropical e a elaboração de novas terapêuticas, 1913-1923. Mar 2013, vol.20, no.1

Silva, Luiz Jacintho da. Auto-suficiência em vacinas: a história de uma utopia. Mar 2008, vol.15, no.1

Ribeiro, Maria Alice Rosa. Saúde pública e as empresas químico-farmacêuticas. Fev 2001, vol.7, no.3

Teixeira, Márcia de Oliveira. As ciências sociais entre biólogos e vacinas: agruras do estudo em um laboratório. Abr 2004, vol.11, no.1

Gadelha, Carlos Augusto Grabois. A produção e o desenvolvimento de vacinas no Brasil. Jun 1996, vol.3, no.1

Saiba mais:

Hermann G. Schatzmayr (biografia resumida)
 

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