Tradição e serviços de saúde em articulação

As medicinas tradicionais vêm sendo integradas ao sistema oficial de saúde e, para tornarem-se objeto de políticas públicas, passam por dois processos: o de validação científica de seus conhecimentos e suas práticas e o da qualificação de seus praticantes. Enquanto o primeiro busca produzir evidências científicas sobre sua eficácia, o segundo estabelece a necessidade de os praticantes serem devidamente qualificados em cursos que os introduzam nos conhecimentos básicos de saúde pública, tendo em vista a regulamentação de seu ofício. Regulamentar significa disciplinar e colocar essas práticas e praticantes sob a supervisão direta do Estado. Dessa forma, a validação científica está para as terapêuticas e os produtos das medicinas tradicionais assim como a qualificação, o credenciamento e o licenciamento estão para seus praticantes. Por outro lado, povos indígenas do Alto Juruá, estado do Acre, através de parteiras, pajés e agentes indígenas de saúde, apropriam e indigenizam os discursos, conhecimentos e bens disponibilizados pelas políticas públicas, de forma que, nos contextos locais particulares, os discursos oficiais passam a veicular outros sentidos, diferentes dos originais, influenciando a reorganização sociocultural do cuidado com a saúde.
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Curso de formação de Agentes Comunitários Indígenas de Saúde.
Foto: Assessoria de Comunicação do Instituto Dom Moacyr, Acre

O artigo A emergência da medicina tradicional indígena no campo das políticas públicas, de Luciane Ouriques Ferreira, publicado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (v.20, n.1, jan.-mar. 2013), reflete sobre os discursos oficiais proferidos pelos organismos internacionais e pelas políticas públicas brasileiras sobre a medicina tradicional e considera as falas indígenas proferidas durante eventos que congregaram parteiras, pajés e agentes indígenas de saúde no alto Juruá, no decorrer de 2006. Saiba mais: A emergência da medicina tradicional indígena no campo das políticas públicasArtigo publicado na edição Dossiê Brasil – Alemanha: relações médico-científicas e veiculado no Scielo. Antropóloga defende diálogo para articular medicinas indígenas e sistema de saúde – Entrevista da autora ao blog da revista. Livro discute articulação entre políticas de saúde e medicinas indígenas – Editora Fiocruz lança livro de Luciane Ouriques Ferreira Medicina Tradicional Indígena em contextos – Anais da I Reunião de Monitoramento, Brasília, 2007 O Desenvolvimento Participativo da Área de Medicina Tradicional Indígena, Projeto Vigisus II/Funasa1 – Artigo de Luciane Ouriques Ferreira publicado em Saúde Soc. São Paulo (v.21, supl.1, p.265-277, 2012)    

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