Terapia ocupacional: “profissão de mulher”?

Terapeuta ocupacional com mães de bebês internados na Maternidade Gota de Leite, em Araraquara/SP. Fonte: http://fungota.araraquara.sp.gov.br/

A inserção das mulheres no mercado de trabalho esteve envolta por estereótipos associados ao gênero feminino, determinando profissões tipicamente femininas. O modelo de segregação de gênero influenciou o desenvolvimento de diversas profissões direcionadas às mulheres, como a terapia ocupacional, uma vez que requeriam a concretização de ações e papéis esperados pela mulher na sociedade, como a habilidade para o cuidar e para tarefas envolvendo movimentos finos e de bondade e paciência. Estas qualidades exigidas para as primeiras terapeutas ocupacionais determinaram a questão do gênero na profissão.

O artigo Terapia ocupacional: uma profissão relacionada ao feminino, publicado na atual edição de HCS-Manguinhos (vol.25, no.1, jan./mar. 2018), analisa e descreve possíveis razões pelas quais a terapia ocupacional é abordada como uma profissão feminina.

As autoras Mirela de Oliveira Figueiredo, Mariana Cristina Zambulim, Maria Luisa Guillaumon Emmel, Alana de Paiva Nogueira Fornereto, Gerusa Ferreira Lourenço, Regina Helena Vitale Torkomian Joaquim e Patricia Della Barba, da Universidade Federal de São Carlos, fizeram uma revisão bibliográfica de capítulos de livros, artigos, monografia e dissertação encontrados a partir de buscas em bases de dados e periódicos pelas palavras-chave “terapia ocupacional e trabalho feminino”, “terapia ocupacional e gênero feminino” e suas correspondentes em inglês.

Para analisar a produção científica encontrada com abordagem qualitativa, foram elaboradas duas questões: Como o modelo particular de segregação de gênero influenciou o desenvolvimento da profissão de terapeuta ocupacional? Quais os estereótipos associados à figura feminina que influenciaram o ingresso das mulheres na terapia ocupacional?

O estudo possibilitou conhecer algumas hipóteses que têm sido levantadas em estudos e textos publicados por profissionais da área e estudiosos do campo da saúde.

Para as autoras, a mudança no estereótipo de gênero já se iniciou. “Os profissionais da atualidade podem colaborar na formação dos que virão, apresentando as potencialidades da terapia ocupacional como um todo, quebrando tabus e gerando maiores possibilidades de compartilhamento entre gêneros”, afirmam. “A mudança no estereótipo de gênero ocupa hoje um cenário de debates, e esta discussão pode colaborar para uma prática profissional mais reconhecida e valorizada.”

Leia em HCS-Manguinhos:

Terapia ocupacional: uma profissão relacionada ao feminino, artigo de Mirela de Oliveira Figueiredo, Mariana Cristina Zambulim, Maria Luisa Guillaumon Emmel, Alana de Paiva Nogueira Fornereto, Gerusa Ferreira Lourenço, Regina Helena Vitale Torkomian Joaquim e Patricia Della Barba (vol.25, no.1, jan./mar. 2018)

Como citar este post:

Terapia ocupacional: “profissão de mulher”?. Blog da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 2018. Publicado em 18 de maio de 2018. Acesso em 18 de maio de 2018. Disponível em  www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/terapia-ocupacional-profissao-de-mulher

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