Botânicos e historiadores do Brasil e da França se reunirão no Rio

Fevereiro/2016

Auguste de Saint Hilaire

Auguste de Saint Hilaire

O Museu Nacional de História Natural de Paris (MNHN) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) promovem, de 1 a 3 de março de 2016, o I Seminário Franco-brasileiro de Botânica e História. Aberto ao público e voltado para pesquisadores, professores e estudantes, o evento celebra os 200 anos da chegada do naturalista francês Auguste de Saint Hilaire ao Brasil. O seminário faz parte das ações do programa Reflora: uma iniciativa do CNPq coordenada pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Cientistas dos dois países abordarão desde o contexto político, social e científico do século XIX, quando Saint Hilaire e outros estrangeiros viajaram pelo país coletando e estudando a flora e a fauna brasileiras, até a tecnologia do século XXI aplicada à pesquisa botânica. A coordenação do Seminário está a cargo de Rafaela Campostrini Forzza (JBRJ) e Marc Pignal (MNHN).

No primeiro dia do evento, após a abertura, o MNHN fará a entrega do fac-símile do Herbário da Princesa Isabel do Brasil, coletado na região de Itatiaia com Glaziou, ao Museu Nacional, que será representado pela pesquisadora Luci de Senna Valle. Palestras sobre fungos micorrízicos e sua relação com as orquídeas e sobre o conceito de “arquitetura de plantas” (plant architecture) estão na programação da tarde.

O segundo dia será dedicado à apresentação e demonstração da plataforma Xper3 para a construção de chaves de identificação interativas e suas aplicações para a botânica. No período da tarde, os participantes terão a oportunidade de participar de uma oficina prática de uso do Xper. Em 2016 estamos comemorando os 200 anos da vinda do naturalista A. Saint Hilaire ao Brasil, assim no último dia, 3 de março, a programação da manhã será toda voltada para o estudo da botânica na época de sua chegada ao Império nos trópicos. À tarde, especialistas falam sobre os sistemas brasileiro (SiBBr) e francês (ReColNat) de infraestrutura de dados sobre biodiversidade.

O objetivo do Reflora é resgatar, digitalizar e disponibilizar, online e em alta resolução, imagens e informações das amostras da flora brasileira, coletadas desde o século XVIII, que estão em herbários estrangeiros, bem como reunir em uma mesma plataforma as amostras digitalizadas dos herbários nacionais. Iniciada em 2010, a rede do Reflora conta atualmente com a parceria de 22 herbários do Brasil e sete do exterior, entre eles o MNHN de Paris.

Programação:

I SEMINÁRIO FRANCO-BRASILEIRO BOTÂNICA E HISTÓRIA
1-3 MARÇO 2016
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
Auditório Graziela Barroso – Escola Nacional de Botânica Tropical, Solar da Imperatriz,
Rua Pacheco Leão 2040, Horto

Terça-feira, 1º março

9:00 – Café de boas-vindas

9:30 – Abertura – coordenadores Rafaela C. Forzza (JBRJ) e Marc Pignal (MNHN), e representantes do CNPq e do Consulado Francês

9:45 – Entrega do fac-símile do Herbário da Princesa Isabel do Brasil, coletado na região de Itatiaia com Glaziou, ao Museu Nacional

10:00 – Representante do Museu Nacional – Luci de Senna Valle

10:30 – Intervalo

10:45– Mariana Reis de Brito – O Herbário da Princesa Isabel do Brasil: Um projeto em perspectiva

11:45 – Almoço  

14:00 – Marc-André Selosse (MNHN- França) – Mycorrhizae of Orchids: general points and case of Neotropical species

15:00 – Melissa Bocayuva (UFV – Brasil) – O papel dos fungos micorrízicos na conservação das orquídeas brasileiras

16:00 –  Intervalo

16:15 – Caroline Loup (MPU- França) – How to understand tree growth? – history and application of the concept of plant architecture

 

Quarta-feira, 2 de março

8:30-9:00 – Café de boas-vindas

9:00 – Marcelo Moraes (Diretor da DABS/CNPq)

A plataforma Xper 3 – Noções teóricas

9:30 – Régine Vignes Lebbe (UPMC-MNHN-ISYEB) – Apresentação da Platforma Xper3

11:00 – Intervalo

11:15 – Livia Echternacht Andrade (UFOP- Brasil) – Plataforma Xper3: Exemplos de aplicações botânicas

12:15 – Almoço

A plataforma Xper 3 – Oficina prática

IMPORTANTE: Para os exercícios práticos é imperativo que os participantes interessados tragam consigo seus laptops

14:30 – Régine Vignes Lebbe (UPMC-MNHN-ISYEB – França) e Livia Echternacht Andrade (UFOP – Brasil) – Platform Xper3: Practical use: edit a knowledge base and create a computerized key

15h45 – Intervalo

16:00 – Régine Vignes Lebbe (UPMC-MNHN-ISYEB ¿ França) e Livia Echternacht Andrade (UFOP – Brasil) – Platform Xper3: import/export, application delivery

Quinta-feira, 3 de março

1816-2016 – Aniversário da chegada de Auguste de Saint-Hilaire no Brasil

8:30 – Café de boas-vindas

9:00  Maria da Graça Lins Brandão (UFMG-FF) – Evento sobre o aniversário da chegada de Auguste de Saint-Hilaire no Brasil

9:15  Jean-Yves Mérian (Université Rennes 2- IdA) – O contexto das missões de Saint-Hilaire no Brasil – aspectos políticos, científicos e culturais (1810-1822)

10:15  Alda Heizer (JBRJ) – Um naturalista francês num Império nos Trópicos
11:15 – Intervalo

11:30  Lorelai B. Kury (COC/Fiocruz-UERJ) – Botânica Imperial – os estudos de Saint-Hilaire e de Robert Brown sobre as formas e a distribuição das plantas

12h30 – Almoço  

14:00  Eva Perez Pimparé (ReColNat- MNHN) – Infraestrutura francesa e ReColNat – Laboratório virtual

15:00  Danny Vélez (GBIF-SIBBr) – Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira – progressos e desafios

16:00 – Intervalo

16:15-17:00  Conclusões e Encerramento: Rafaela C.Forzza & Marc Pignal

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Leia no blog de HCS-Manguinhos:

O fascínio pela natureza
Em 1817, Auguste Saint-Hilaire admirou-se com o Palácio em Mariana, fiel aos padrões europeus – obra de um bispo português ilustrado, conta o historiador Moacir Rodrigo de Castro Maia.

Leia em HCS-Manguinhos:

Suplemento Ciência e Viagens2001

O descanso dos naturalistas: uma análise de cenas na iconografia oitocentista, Antunes, Anderson Pereira; Moreira, Ildeu de Castro; Massarani, Luisa Medeiros (vol.22, no.3 , jul./set. 2015)

Joséphine Schouteden-Wéry no litoral belga: uma bióloga entre o trabalho de campo e a formação de coleções, artigo de Alda Heizer e Aline Cardoso Cerqueira (vol.21 no.3 Ago/set. 2014)

O inventário das curiosidades botânicas da Nouvelle France de Pierre-François-Xavier de Charlevoix (1744). Kobelinski, Michel.  Mar 2013, vol.20, no.1

Antônio Moniz de Souza, o ‘Homem da Natureza Brasileira’: ciência e plantas medicinais no início do século XIX. Santos, Laura Carvalho dos.  Dez 2008, vol.15, no.4

Notícias sobre uma expedição: Jean Massart e a missão biológica belga ao Brasil, 1922-1923, artigo de Alda Heizer  (vol.15 no.3 jul/set. 2008)

Um caminho para a ciência: a trajetória da botânica Leda Dau, Azevedo, Nara, Cortes, Bianca Antunes and Sá, Magali Romero . 2008, vol.15

Conciliar o útil ao agradável e fazer ciência: Jardim Botânico do Rio de Janeiro – 1808 a 1860. Bediaga, Begonha. Dez 2007, vol.14, no.4

O botânico e o mecenas:João Barbosa Rodrigues e a ciência no Brasil na segunda metade do século XIX.Sá, Magali Romero. 2001, vol.8

Richard Spruce, botânico e desbravador da América do Sul. Seaward, Mark R. D.  Out 2000, vol.7, no.2

A natureza e a cultura no compasso de um naturalista do século XIX: Wallace e a Amazônia, artigo de José Jerônimo de Alencar Alves (vol.18, no.3, set 2011)

Viajantes-naturalistas no Brasil oitocentista: experiência, relato e imagem, artigo de Lorelai Kury, (vol.8, 2001)

Naturalistas viajantes, artigo de Miriam L. Moreira Leite (vol.1, no.2, fev 1995)

O Brasil no relato de viagens do comandante Robert FitzRoy do HMS Beagle, 1828-1839 – Artigo de Gabriel Passetti (vol.21, n.3, set 2014)

Memórias partilhadas: os relatos dos viajantes oitocentistas e a idéia de “civilização do cacau”,artigo de Lucia Maria Paschoal Guimarães (vol.8, 2001)

História e natureza em von Martius: esquadrinhando o Brasil para construir a nação, artigo de Manoel Luiz Salgado Guimarães (vol.7, no.2, out 2000)

Narrativas e imagens dos viajantes alemães no Brasil do século XIX: a construção do imaginário sobre os povos indígenas, a história e a nação, artigo de Ana Luisa Fayet Sallas (vol.17 no.2 abr./jun. 2010)

 

 

 

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