Saberes e práticas psicanalíticas nas ciências sociais

Dezembro/2017

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, saber que se difundiu e circulou no campo das ciências sociais. Foto: Wikipedia.

A história das ciências sociais desde o começo do século XX revela uma constante referência à psicanálise, ainda que frequentemente enviesada ou crítica em relação a seus conceitos e estilos de interpretação do fenômeno humano.

Autor do artigo A circulação dos saberes e práticas psicanalíticas nas ciências sociais, publicado no suplemento sobre “cultura psi” de HCS-Manguinhos (vol.24,  supl.1, 2017), o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte discute as diferentes apropriações que a psicanálise mereceu por parte da sociologia e da antropologia, através de diversas escolas de pensamento e ênfases analíticas. Segundo ele, a forma de apropriação das hipóteses sociológicas e antropológicas pelos psicanalistas também faz parte de um jogo de influências muito revelador das características da cultura ocidental moderna, de onde emergiram os dois grupos de saberes.

Duarte pesquisou as representações sobre a pessoa e o sofrimento em diversos contextos sociais, centrando-se nas formas de concepção da vida interior, moral ou psicológica. “Lidei constantemente com o estatuto ambíguo da psicanálise, ao mesmo tempo um sistema erudito de conhecimento e um modo de conceber (e vivenciar) a vida mental”, afirma.

Para o autor, a psicanálise pode aparecer como uma importante aliada na luta das ciências sociais contra os reducionismos naturalistas, em função de sua ênfase na simbolização e na apreensão holista da experiência humana, mas pode aparecer também como etnocentricamente individualista ou excessivamente próxima da filosofia romântica.

“Diferentes estilos de interpretação antropológica reconheceram como contribuições importantes noções como as de inconsciente, de transferência, de atenção flutuante ou de somatização, com ênfases divergentes e mesmo contraditórias”, diz.

De acordo com Duarte, as aproximações de diferentes tipos entre os dois campos dependeram também intensamente dos estilos de organização da vida cultural das nações onde vicejaram. “O estudo das variações desse diálogo é em si mesmo uma frutífera via de investigação sobre a complexa dinâmica do pensamento ocidental – como no caso aí abordado da Argentina e do Brasil”, afirma.

Leia em HCS-Manguinhos:

A circulação dos saberes e práticas psicanalíticas nas ciências sociais, artigo de Luiz Fernando Dias Duarte (vol.24,  supl.1, 2017).

Acesse o sumário do suplemento ‘Culturas psi”

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