Pesquisadora estudou documentos de 1810 a 1911 que compunham o acervo do Museu Nacional

Outubro/2018

Marina Lemle | Blog de HCS-Manguinhos Um século de documentos que registram o início da ciência no Brasil virou cinzas no incêndio que destruiu o Museu Nacional em 2 de setembro de 2018. Mas, graças ao empenho de cientistas que dedicaram suas pesquisas aos acervos do Museu, ao menos sabe-se o que foi perdido e a sua importância. Um exemplo é o trabalho de Maria Margaret Lopes. Para o seu doutorado, no início dos anos 1990, ela pesquisou documentos do acervo do Museu Nacional de 1810 a 1911. Percorreu desde o decreto de Fundação do museu – primeira e mais importante instituição científica do Brasil no século XIX -, até os registros das atas até 1911, passando por correspondências de cientistas brasileiros e estrangeiros. A pesquisadora conta que os documentos ficavam na antessala da diretoria. “Por ser um registro da história, era um material fundamental para pesquisas e, curiosamente, estava ali graças à burocracia centralizada, herança portuguesa”, observa a professora da Unicamp e UnB. Margaret lembra que ela e a colega Silvia Figueroa copiavam o que estava escrito nos documentos, porque não havia xerox ou máquina fotográfica disponíveis. Os estudos resultaram, em 1997, no livro “O Brasil Descobre a Pesquisa Científica: Os Museus e as Ciências Naturais no Século XIX”, das editoras Hucitec e UnB. No livro, além do Museu Nacional, a autora analisa a gênese e o início do Museu Paraense Emílio Goeldi, o Museu Paulista e outras instituições menos conhecidas, destacando suas principais contribuições para as ciências naturais no Brasil. Hoje, muitos documentos estão digitalizados na hemeroteca da Biblioteca Nacional, principalmente aqueles que foram publicados na imprensa da época. “Mas a perda é gravíssima, porque são documentos diários, informando cada portaria, coleções que entraram no Museu, documentos de naturalistas brasileiros. O Museu Nacional tinha uma importância científica imensa, influenciava outros museus do mundo”, afirma a autora, que também estudou a obra da cientista Bertha Lutz. Leia em HCS-Manguinhos: Proeminência na mídia, reputação em ciências: a construção de uma feminista paradigmática e cientista normal no Museu Nacional do Rio de Janeiro, artigo de Maria Margaret Lopes (v.15,  supl.0, 2008) Cenas de tempos profundos: ossos, viagens, memórias nas culturas da natureza no Brasil, artigo de Maria Margaret Lopes (vol.15, no.3, set 2008) Viajando pelo campo e pelas coleções: aspectos de uma controvérsia paleontológica, artigo de Maria Margaret Lopes. (vol.8, 2001) Crânios, corpos e medidas:a constituição do acervo de instrumentos antropométricos do Museu Nacional na passagem do século XIX para o XX. Artigo de Guilherme José da Silva Sá et al. (Mar 2008, vol.15, no.1) Silva Coutinho: uma trajetória profissional e sua contribuição às coleções geológicas do Museu Nacional, artigo de Marina Jardim Silva, Antonio Carlos Sequeira Fernandes e Vera Maria Medina da Fonseca (vol.20, no.2, jun 2013) A nação pela pedra: coleções de paleontologia no Brasil, 1836-1844, artigo de Paulo Henrique Martinez (vol.19, no.4, dez 2012) Lazzaro Spallanzani e os fósseis: das observações em viagens naturalísticas ao ensino de história natural, artigo de Maria Elice Brzezinski Prestes e Frederico Felipe de Almeida Faria (vol.18, no.4, dez 2011) Os viajantes e a biogeografia, artigo de Nelson Papavero e Dante Martins Teixeira (vol.8,  2001) Leia no Blog de HCS-Manguinhos: ‘Perda do acervo documental do Museu Nacional é inestimável’ Magali Romero Sá Museu Nacional: ruínas precoces, fiapos de esperança Ricardo Ventura Santos Incêndio queimou registros únicos da vida de povos que aqui habitaram e foram dizimados pela colonização Kaori Kodama Museu Nacional, ‘miniatura do país’ Vanderlei de Souza Museu Nacional e Fiocruz: notas iniciais para uma historiografia das relações entre as duas instituições Cristiane D’Avila Como citar este post: Pesquisadora estudou documentos de 1810 a 1911 que compunham o acervo do Museu Nacional, por Marina LemleBlog de História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 2018. Publicado em 03 de outubro de 2018. Disponível em  http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/pesquisadora-estudou-documentos-de-1810-a-1911-que-compunham-o-acervo-do-museu-nacional

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