Pesquisa traça 2 mil anos da história das chuvas no Brasil

julho/2018

Peter Moon  |  Agência FAPESP

Pesquisa traça 2 mil anos da história das chuvas no Brasil

Registros isotópicos obtidos em cavernas revelam como variou a distribuição de chuvas no país durante mudanças climáticas globais que afetaram a Europa na Idade Média (imagem: Novello e outros / Geophysical Research Journal)

Entre 1500 e 1850, a Europa esteve imersa na chamada Pequena Era do Gelo, período no qual as temperaturas médias no hemisfério Norte eram consideravelmente inferiores às atuais.

Até agora os efeitos daquela queda de temperatura sobre o clima da América do Sul eram pouco conhecidos, mas um novo estudo mostra que, nos séculos 17 e 18, o clima do sudoeste do Brasil era mais úmido que o atual, por exemplo. Ao mesmo tempo, o clima do Brasil do Nordeste era mais seco. O estudo foi feito a partir da análise de rochas de cavernas em Mato Grosso do Sul e em Goiás.

Os mesmos registros de cavernas brasileiras revelaram que, entre os anos 900 e 1100, durante a chamada Anomalia Climática Medieval – período em que o clima no hemisfério Norte era mais quente do que o atual –, o clima era mais seco no Brasil.

Trata-se de uma das primeiras evidências a constatar uma relação entre as mudanças climáticas observadas durante a Pequena Era do Gelo e a Anomalia Climática Medieval no hemisfério Norte e alterações no padrão de chuvas sobre a América do Sul.

Publicado em artigo no Geophysical Research Journal, o trabalho tem como autores o físico Valdir Felipe Novello e o geólogo e professor Francisco William Cruz, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), ao lado de colaboradores brasileiros, norte-americanos e chineses, e integra o projeto PIRE-CREATE, apoiado pela FAPESP.

“Trabalhamos em diversas escalas de tempo. Há estudos que investigam o paleoclima há dezenas ou centenas de milhares de anos. No novo estudo, investigamos alterações climáticas durante os últimos dois milênios”, disse Cruz.

Leia a reportagem completa no site da Agência Fapesp

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