Pela saúde das plantas e dos animais

Junho/2017

Rodrigo de Oliveira Andrade | Revista Pesquisa Fapesp

Perspectiva artística do prédio do Instituto Biológico de São Paulo feita pelo engenheiro Mário Whately. Reprodução – Centro de Memória do Instituto Biológico.

No início dos anos 1920, no auge da cafeicultura paulista, uma praga irrompeu nos cafezais. Um minúsculo besouro, cuja larva atacava a coroa dos grãos, sorvendo-lhe a polpa, deixava ocos os frutos e ameaçava as safras. Era preciso desenvolver mecanismos de combate à chamada broca-do-café, e para isso o governo paulista formou uma comissão de pesquisadores, chefiada pelo médico e entomologista Arthur Neiva. O resultado foi uma ação precursora do controle biológico, por meio de uma vespa trazida de Uganda, África. O trabalho da comissão abriu caminho para a criação de uma instituição de fiscalização e vigilância que realizasse de forma permanente a definição e divulgação de medidas de combate à broca, certificando-se de que as fazendas implementassem as medidas definidas. Criado há 90 anos, em dezembro de 1927, o Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal – hoje conhecido apenas como Instituto Biológico – tornou-se então um centro de excelência em pesquisas voltadas à sanidade animal e vegetal e um dos principais polos de discussão científica do Brasil, referência para pesquisadores do país e do exterior. A criação do Instituto Biológico é fruto do espírito inquieto de Arthur Neiva (1880-1943), o primeiro a assumir o cargo de diretor na instituição. Nascido em Salvador, Neiva iniciou os estudos na Faculdade de Medicina da Bahia, concluindo-os no Rio de Janeiro, em 1903. Discípulo do médico sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), passou a trabalhar com ele no Instituto Soroterápico — atual Instituto Oswaldo Cruz. Em 1910 embarcou para Washington, Estados Unidos, para estudar entomologia médica. Três anos depois, em 1913, descreveu uma nova espécie de Triatoma, besouro responsável pela transmissão do Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, em Buenos Aires, Argentina. Voltou à capital portenha em 1915 para instalar e dirigir a Seção de Zoologia Animal e Parasitologia do Instituto Bacteriológico daquele país, onde ficou por dois anos antes de retornar ao Brasil para assumir a direção do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo. Continue a leitura na revista Pesquisa Fapesp. Leia em HCS-Manguinhos: Rebouças, Márcia Maria. Pelo resgate da memória documental das ciências e da agricultura: o acervo do Instituto Biológico de São Paulo. Dez 2006, vol.13, no.4 Silva, André Felipe Cândido da. A campanha contra a broca-do-café em São Paulo (1924-1927). Dez 2006, vol.13 Bediaga, Begonha. A moléstia da cana-de-açúcar na década de 1860: a lavoura em busca das ciências. Dez 2012, vol.19, no.4 Faria, Line Rodrigues de. Uma ilha de competência: a história do Instituto de Química Agrícola na memória de seus cientistas. Jun 1997, vol.4, no.1 Oliveira, Ricardo Lourenço de and Conduru, Roberto Nas frestas entre a ciência e a arte: uma série de ilustrações de barbeiros do Instituto Oswaldo Cruz. Ago 2004, vol.11, no.2 Souza, Vanderlei Sebastião de. Arthur Neiva e a ‘questão nacional’ nos anos 1910 e 1920. Jul 2009, vol.16, suppl.1 Silva, André Felipe Cândido da. Um brasileiro no Reich de Guilherme II: Henrique da Rocha Lima, as relações Brasil-Alemanha e o Instituto Oswaldo Cruz, 1901-1909. Mar 2013, vol.20, no.1 Silva, André Felipe Cândido da. A trajetória de Henrique da Rocha Lima e as relações teuto-brasileiras (1901-1956). Jun 2010, vol.17, no.2

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