Para presidente do Conselho Médico Chinês, avaliação de competências é ponto chave

Setembro/2013

Flávia Machado
China Medical Board - December 2, 2011

Lincoln Chen

O blog de História, Ciências, Saúde – Manguinhos está coletando visões e opiniões sobre o Programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde, que busca suprir com mão-de-obra estrangeira os vazios de assistência na atenção básica da população de centenas de municípios, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Para Lincoln Chen, presidente do Conselho Médico Chinês e fundador da Aliança Mundial pela Força de Trabalho em Saúde, ligada à ONU, as competências técnicas, linguísticas e culturais dos médicos estrangeiros para servir a população do Brasil devem ser medidas e avaliadas. Outra questão a se refletir é se farão falta em seus países de origem. Qual a sua opinião sobre este programa controverso que está sendo muito criticado por entidades médicas? O Brasil não é o único país a importar profissionais de saúde para suprir a falta e a má distribuição de médicos. Tampouco a oposição por parte de entidades médicas a estas importações é única. Muitos países importam médicos, assim como enfermeiros e outros profissionais de saúde. Um quarto dos médicos em atividade nos EUA são importados, por exemplo. Muitos servem em áreas onde as vagas não foram preenchidas por graduados nos EUA. Não conheço a situação brasileira em relação à quantidade de médicos, se atendem ou não as áreas rurais, e o que o governo fará para atrair e reter os médicos importados. Uma questão chave é qualidade – se os médicos importados têm competências técnicas, linguísticas e culturais para servir à população do Brasil. Argumentos serão abstratos a não ser que as questões da competência sejam medidas e avaliadas. Outro aspecto chave é de que país e instituição de treinamento esses profissionais vêm. Cuba produz um excedente para exportação, mas a importação de médicos de outros países em desenvolvimento pode privá-los de recursos humanos que lhes são vitais. Como o programa brasileiro se relaciona com a preocupação global sobre recursos humanos em saúde, sua insuficiência e má distribuição? Alguns países, como Cuba e Índia, produzem médicos para exportação, apesar de a Índia sofrer de déficit e/m áreas rurais. Nós devemos, certamente, promover segurança em saúde em todos os países, mas também não devemos bloquear o direito de alguém de migrar por oportunidade econômica. Uma questão fundamental é como foi financiada a formação do médico migrante. Se foi bancada pelo próprio médico, por que seria objeto de exportação? Se, por outro lado, a educação foi pesadamente subsidiada por recursos públicos, então a evasão do profissional é mais do que uma perda médica, mas uma perda de investimentos de tempo e dinheiro de um país para produzir mão-de-obra para servir a seus próprios cidadãos.  (Tradução e edição de Marina Lemle) Leia na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos: Médicos alemães no Rio Grande do Sul, na primeira metade do século XX: integração e conflito Imigrantes tiveram papel de destaque na prática da medicina e reforçaram a integração, mas a sua presença também desencadeou conflitos. Por René E. Gertz, professor do Departamento de História / Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Leia mais: ‘Mais Médicos’: debate amplia discussão sobre o SUS – Blog de História, Ciências, Saúde – Manguinhos ouviu especialistas. ‘Cabo de guerra entre governo e entidades médicas é prejudicial à saúde da população’ – Entrevista de Ligia Bahia ao blog de HCSM Para presidente do Conselho Médico Chinês, avaliação de competências é ponto chave – Entrevista de Lincoln Chen, fundador da Aliança Mundial pela Força de Trabalho em Saúde, ao blog de HCSM Scheffer: falta de carreira digna desumaniza o SUS – Entrevista de Mário Scheffer ao Cebes. RH na agenda de debates – Carlos Henrique Assunção Paiva comenta a entrevista de Mário Scheffer Mais Médicos: uma vereda para os nossos grandes sertões – Artigo de Reinaldo Guimarães para o site do Cebes. Conselho Deliberativo da Fiocruz lança nota em apoio ao Programa Mais Médicos Julie estudou os médicos cubanos: mortalidade infantil caiu 50% – Entrevista da socióloga norte-americana Julie Feinsilver ao Viomundo.

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