‘O livro segue sendo poderosa ferramenta de comunicação científica’

Agosto/2013

Marina Lemle

João Canossa, editor executivo da Editora Fiocruz

João Canossa, editor executivo da Editora Fiocruz

Editor executivo da Editora Fiocruz, João Canossa acredita no poder da internet para potencializar o acesso ao conhecimento, mas garante que o livro continua sendo uma ferramenta muito importante de comunicação científica.

Canossa defendeu, em maio, na Ensp, a dissertação de mestrado em Saúde Pública A saúde que se lê: uma reflexão a partir da trajetória da Editora Fiocruz.

Nesta entrevista ao blog de História, Ciências, Saúde – Manguinhos, ele aborda os critérios da editora para a escolha de temas para coleções e de obras para tradução, defende iniciativas na internet como o Scielo Livros e fala da importância da evolução de sistemas de métricas para a avaliação do impacto das publicações, tanto impressas como online.

A Editora Fiocruz foi fundada há 20 anos com o objetivo de ampliar o acesso ao conhecimento científico em saúde. É possível avaliar o impacto das obras lançadas? 

É possível ter algumas evidências do impacto, como títulos esgotados e reimpressos, demanda crescente de autores querendo publicar no formato livro e afins. Uma avaliação melhor do impacto dos livros será possível com a evolução dos sistemas de métricas para as publicações, inclusive os livros: citações, referenciamentos bibliográficos e afins. Todavia, não há dúvida: o livro segue sendo uma poderosa ferramenta de comunicação científica, com a particularidade de refletir sobre o estado de arte de determinado campo ou de aprofundar temas de importância e/ou novidades para o avanço do conhecimento científico. E ambas as coisas valem tanto para as coletâneas quanto para os livros monográficos.

Como são escolhidos os temas das coleções temáticas?

Na Editora Fiocruz as coleções temáticas nasceram da percepção de áreas do saber em saúde que necessitavam conversar mais diretamente com seus públicos. Ou seja, percebia-se um nicho de leitores com carência em livros que falassem mais diretamente da convergência de áreas temáticas outras com a da saúde (antropologia, história) e/ou, também de temáticas de importância para o conhecimento em saúde (saúde mental, povos indígenas, saúde da mulher e da criança). Com base em termos de referência elaborados por especialistas nessas convergências e/ou abordagens, o Conselho Editorial foi apreciando propostas e suas possibilidades de estabelecimento no tempo… e, grosso modo, assim nasceram as coleções temáticas.

Quais os critérios para decidir quais livros serão traduzidos e para quais línguas?

Assim como as coleções temáticas, traduções também são apreciadas e decididas em Conselho Editorial. Procura-se privilegiar títulos que não tenham similar em português ou áreas que tenham carência de publicação mais sistematizada em livros. Mas uma abordagem interessante ou original de determinado tema também pode render uma oportunidade de boa tradução. Em suma: creio que a principal preocupação continua, ao longo de anos, a mesma: trazer para o leitor a informação que ele certamente necessita para desenvolver seus estudos e pesquisas.

Você acha que as ferramentas da internet podem contribuir para a disseminação da ciência, assim como fazem os livros?

Sem dúvida. Podem contribuir inclusive para disseminar os próprios livros. A exemplo do portal SciELO Livros, do qual a Editora Fiocruz faz parte e ajudou “a nascer”, as novas tecnologias estão aí para potencializar possibilidades: maior acesso, quebra de fronteiras, encurtamento de distâncias… Inicialmente, a Editora começou timidamente a colocar livros para acesso livre na íntegra em sua própria página web. Procurada pelo SciELO, a Editora achou por bem acreditar, contribuir e apoiar o nascedouro de um portal para livros acadêmicos ou universitários online, tanto para acesso livre quanto para acesso facilitado. Não apenas de livros da Editora Fiocruz, mas também os de outras editoras, para potencializar o acesso a temas e à produção intelectual, tão necessária à evolução e perpetuação do conhecimento científico. O portal está há dois anos no ar e, ao que tudo indica, tem tudo para ser um sucesso. Os desafios agora são os de conseguir uma maior adesão de editoras e coleções, bem como os de contribuir efetivamente para sistemas de métricas, avaliações, impactos e um melhor lugar para o livro nas estantes (ainda que virtuais) e no cotidiano de nossos e novos leitores.

Leia mais:

Health, Salud, Santé (arquivo PDF) – Editora Fiocruz investe na tradução de obras de referência ou inovadoras (Revista de Manguinhos, jan. 2013 )

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