Nova edição do Boletim da SBHC traz entrevista com Kapil Raj

Junho/2016

Raj

Kapil Raj

Uma entrevista com Kapil Raj, pesquisador e professor de História da Ciência na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Ehess), em Paris, é o destaque do novo número do Boletim Eletrônico da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), que apresenta o dossiê Ciência e Circulação de Conhecimentos.

Na conversa com Matheus Duarte, doutorando na Ehess e um dos editores do Boletim da SBHC, Kapil Raj apresenta sua teoria sobre circulação de conhecimentos, aborda as relações entre ciência e outras modalidades de saber e discute questões como alteridade, assimetrias culturais na globalização e as concepções de centro e periferia na produção científica.

Com o seu conceito de circulação de conhecimento, Kapil Raj contesta ideias de difusão da ciência e de centro e periferia no que se refere à ciência. Para ele, a ciência não seria nem algo produzido primeiramente na Europa ou nos EUA e depois difundido para o mundo, e nem algo imposto ao resto do mundo. Ele prefere ver como a ciência emerge a partir dos encontros entre europeus e outros povos, e como esses encontros criam coisas novas.

Matheus Duarte

Matheus Duarte

“Pode-se dizer que Kapil Raj é um “pós-pós-colonialista”, porque ele faz críticas importantes a Foucault e a Edward Said, por exemplo. Eu diria que, de uma maneira geral, é essa a importância acadêmica dele”, afirma Matheus Duarte. Em relação ao Brasil, Duarte acredita que os trabalhos do pesquisador possam ajudar a construir interpretações diversas sobre a ciência nacional para além do paradigma da difusão ou de centro e periferia, porque embora abordem a Índia, seria possível utilizar o conceito para tentar entender também a construção da ciência no Brasil.

Leia a entrevista.

Esta nona edição do boletim eletrônico traz ainda os artigos Estudos de Filosofia Natural no Brasil setecentista e sua relação com o pensamento iluminista, de Gisele Conceição (Universidade do Porto); “Não vê a Luz (ainda que de olhos abertos) quem não a quer ver”: notas sobre a produção cartográfica durante o Tratado de Madrid (1752-1760), de Millena Farias (UFF); Sociabilidade e Trabalho de campo: Apontamentos sobre a viagem de Louis Agassiz ao Brasil (1865 – 1866), de Anderson Antunes (Fiocruz); Ciência e propaganda cultural italiana no Brasil: os contatos de Tullio Levi-Civita com a Missão Italiana da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, de Luciana Silva (USP); e Primórdios do Programa Adaptacionista brotados no Vale do Itajaí, de Gustavo Caponi (UFSC), sobre as correspondências entre Charles Darwin e o naturalista Fritz Müller, que realizava estudos em Santa Catarina.

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