HCS-Manguinhos traz dossiês sobre parto e mortalidade infantil

Janeiro/2019

Parto e nascimento e saúde e mortalidade infantil são os temas de dois dossiês da mais nova edição da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (n. 4, vol. 25, out-dez/2018).

Na Carta dos Editores, os pesquisadores Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva saúdam a nova Declaração sobre Atenção Primária à Saúde, apresentada na conferência de Astana, no Cazaquistão, em outubro de 2018. Reafirmando a legitimidade de valores imprescindíveis à História, como a relevância da ciência e da saúde pública e a luta contra qualquer forma de discriminação, os editores científicos da revista também se alinham com os debates sobre a importância da ciência aberta para o futuro das publicações científicas, tema da Conferência SciELO 20 Anos, que aconteceu em São Paulo, em setembro de 2018.

Editores convidados deste número, os pesquisadores Luiz Antônio da Silva Teixeira (COC/Fiocruz), Andreza Rodrigues Nakano (Escola de Enfermagem/Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a pós-doutoranda Marina Fisher Nucci (COC/Fiocruz) trazem discussão sobre Parto e nascimento: saberes, reflexões e diferentes perspectivas. De acordo com os editores, a “medicalização dos partos, dos nascimentos e da vida é parte da nossa sociedade, e olhar para essas questões é uma das formas de transformá-la”.

Análise

Oito artigos fazem parte da seção Análise do dossiê Parto e Nascimento. Há trabalhos inéditos sobre a saúde reprodutiva das mulheres no Rio de Janeiro do início do século 20; discursos científicos em favor da medicalização de parto no Peru, 1900-1940; medicalização da gestação e do parto nas páginas da revista Claudia, 1961-1990; reflexões sobre a síntese e início do uso da ocitocina em obstetrícia no Brasil; a concorrência na arte de partejar na cidade do Rio de Janeiro entre 1835 e 1900; a “maternidade moderna” e a medicalização do parto nas páginas do Boletim da Legião Brasileira de Assistência, 1945-1964; gênero, história e medicalização do parto: a exposição “Mulheres e práticas de saúde”; a transnacionalização do parto normal no Brasil: um estudo das últimas cinco décadas.

Fontes

Na seção Fontes, a bibliotecária Wanda Weltman reúne artigos publicados em periódicos brasileiros, recuperados nas bases Scielo, Hisa e Lilacs, para comentar a bibliografia sobre a medicalização do parto no Brasil. No outro artigo da seção, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da COC Larissa Velasquez analisa as fontes para a história da ginecologia e obstetrícia no Brasil, a partir do levantamento de fontes realizado em bases de dados de bibliotecas brasileiras.

Nota de Pesquisa

A medicalização do parto no Brasil a partir do estudo de manuais de obstetrícia é o título da nota de pesquisa da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Lucia Regina de Azevedo Nicida. Em outro artigo, o professor Rafael de Brito Dias e a mestranda Cristiane Kämpf, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), traçam uma análise inicial sobre o modo como obstetras ativistas da humanização do parto e do nascimento no Brasil pensam a prática da episiotomia, incisão efetuada na região do períneo para ampliar o canal de parto.

Imagens

Na seção Imagens, a contextualização da casa de parto no Rio de Janeiro é o tema do artigo da pesquisadora do Centre de Recherche Médecine, Sciences, Santé, Santé Mentale, Societé (CERMES) Ilana Löwy. Em outro trabalho, a fotógrafa do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Adriana Mendeiros, apresenta o resultado do acompanhamento fotodocumental na Casa de Parto David Capistrano Filho, no Rio de Janeiro, por 12 anos descontinuados (entre 2005 e 2017).

Livros & Redes

Revisitando a saúde global a partir da periferia: o vírus Zika é o título da resenha do professor da Ponti­cia Universidad Católica de Chile Jose Ragas sobre o livro da brasileira Debora Diniz: Zika: from the Brazilian backlands to global threatAmamentação e políticas para a infância no Brasil: a atuação de Fernandes Figueira, 1902-1928, de Gisele Sanglard, é o objeto da outra resenha da seção, assinada pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rita de Cássia Marques. Por fim, a professora da Universidade Vale do Rio Doce (MG) Maria Terezinha Bretas Vilarino aborda o livro Qui gardera les enfants? Mémoire d’une feministe iconoclaste, de Yvonne Knibiehler.

Dossiê Saúde e Mortalidade Infantil

Cinco artigos compõem o dossiê Saúde e Mortalidade Infantil, que encerra a última edição do ano da HCS-Manguinhos. Os assuntos em debate são a mortalidade e a morbidade nas colônias do Sul do Brasil, entre 1850-1880; o início da pediatria em Buenos Aires, Argentina (1890-1920); a assistência psiquiatra a crianças anormais, em Santa Catarina, em 1940; a educação e os cuidados para a saúde bucal infantil (1912-1940); e a mortalidade infantil em Santiago, Chile, entre 1860 e 1914.

Confira a edição completa em acesso aberto. Fonte: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz

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