Médicos baianos divulgaram a teoria dos germes no Brasil no século XIX

Dezembro/2016

Louis Pasteur em seu laboratório. Pintura de Albert Edelfeldt, 1885. Fonte: Wikipedia

Louis Pasteur em seu laboratório. Pintura de Albert Edelfeldt, 1885. Fonte: Wikipedia

A teoria dos germes, decorrente, em especial, dos trabalhos de Louis Pasteur e Robert Koch, fez estremecer as bases do saber médico a partir da segunda metade do período oitocentista e promoveu uma revolução na “arte de curar”. A busca por micróbios específicos para as doenças norteou as investigações de pesquisadores convertidos aos dogmas pasteurianos.

No artigo O micróbio protagonista: notas sobre a divulgação da bacteriologia na Gazeta Médica da Bahia, século XIX, Anderson Gonçalves Malaquias mostra o papel desempenhado pela Gazeta Médica da Bahia no processo de divulgação da bacteriologia junto às comunidades médicas baiana e nacional.

O artigo apresenta alguns trabalhos e reflexões de colaboradores do periódico e destaca algumas controvérsias que ajudaram a traçar um panorama da difusão da teoria dos germes pelo Brasil ao longo do século XIX. O texto resulta da dissertação de mestrado defendida por Malaquias em 2012 junto ao Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Educação do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, sob a orientação de Maria Renilda Nery Barreto, intitulada Ciência, educação e divulgação científica: o nascimento da bacteriologia nas páginas da Gazeta Médica da Bahia (1866-1890).

No Brasil, a década de 1860 foi caracterizada pelo aparecimento de sociedades e periódicos médicos. Um grupo na Bahia começou a se reunir informalmente e desses encontros se originou a Escola Tropicalista Baiana, composta inicialmente de três médicos estrangeiros e quatro brasileiros.

Os tropicalistas se mostravam sensíveis à conjuntura e à realidade social na qual estavam inseridos: interessavam-se pelas enfermidades que acometiam especialmente as populações mais pobres e se ocupavam em investigar as especificidades das doenças dos trópicos, bem como as possíveis influências do clima sobre as raças e a possibilidade de aclimatação dos europeus a esses ambientes. Estudavam também a fauna e a flora brasileiras e outros assuntos importantes para a sociedade.

A rede de interação formada pelo grupo de tropicalistas resultou na criação, em 1866, da Gazeta Médica da Bahia, que alcançou grande longevidade.

Leia em HCS-Manguinhos:

O micróbio protagonista: notas sobre a divulgação da bacteriologia na Gazeta Médica da Bahia, século XIX, Anderson Gonçalves Malaquias (vol.23 no.3 jul./set. 2016)
 

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