Maria Bandeira: primeira botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro optou por vida religiosa ainda jovem

Março/2016

Maria Bandeira em laboratório do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira)

Maria Bandeira em laboratório do Jardim Botânico (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira)

Desconhecida na historiografia e pouco citada na literatura científica, Maria do Carmo Vaughan Bandeira (1902-1992) foi a primeira botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Na década de 1920, ela coletou um significativo número de espécimes de plantas, fungos e líquens, alcançou locais de difícil acesso e trocou extensa correspondência com especialistas estrangeiros.

A botânica, que chegou a estudar na Sorbonne, na França, trilhava uma trajetória científica exitosa quando decidiu ingressar na ordem das Carmelitas Descalças e se mudar para um convento no bairro de Santa Teresa, com clausura total. O falecimento de seus pais, o rompimento afetivo com o irmão e a perda de uma importante referência científica, Viktor Ferdinand Brotherus, falecido em 1929, são possíveis explicações para esta opção de vida.

“Provavelmente, nunca saberemos os motivos profundos que levaram Maria Bandeira a abandonar a profissão, tampouco conseguiremos entender sua opção religiosa, mas podemos inferir que a mudança pode ter sido ocasionada pelas dificuldades e inseguranças de uma mulher de 29 anos, solteira, que não contava mais com o amparo masculino e, certamente, sentia os preconceitos de gênero, à época”, explicam os autores do artigo “Maria Bandeira: uma botânica pioneira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro”, que será publicado em breve em HCS-Manguinhos.

De autoria das pesquisadoras Begonha Bediaga e Ariane Luna Peixoto, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e do professor Tarciso S. Filgueiras, do Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o artigo resgata a trajetória da cientista e já está disponível na versão online da revista no SciELO (ahead of print). Segundo os autores, os registros de Maria Bandeira levantados por eles permitem analisar o “fazer botânica” e as redes de sociabilidades nas ciências à época.

Maria Bandeira e a botânica norte-americana Agnes Chase no pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, RJ, em 1925 (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira)

Maria Bandeira e a botânica norte-americana Agnes Chase no pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, RJ, em 1925 (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira)

Leia em HCS-Manguinhos:

Maria Bandeira: uma botânica pioneira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, artigo de Begonha Bediaga, Ariane Luna Peixoto e Tarciso S. Filgueiras

Como citar este post [ISO 690/2010]:

Maria Bandeira: primeira botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro optou por vida religiosa ainda jovem. Blog de HCS-Manguinhos. [viewed 18 March 2016]. Available from: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/maria-bandeira-primeira-botanica-do-jardim-botanico-do-rio-de-janeiro-optou-por-vida-religiosa-ainda-jovem/

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