Ideologia, ciência e povo em Amílcar Cabral

Agosto/2017

Amílcar Cabral

Amílcar Cabral nasceu em 1924 no território da atual Guiné-Bissau. Viajou ainda cedo com a família para Cabo Verde, onde foi um aluno tão exemplar que o governo português lhe concedeu uma bolsa de estudos universitários no Instituto Superior de Agronomia (ISA). Chegou a Lisboa em 1945, com pouco mais de 20 anos. Nos primeiros anos em Portugal, frequentou a Casa de Estudantes do Império, construída em 1944 com o objetivo de albergar os estudantes oriundos dos territórios coloniais. Envolveu-se em movimentos oposicionistas contra a ditadura salazarista. Notícias como a independência da Índia (1947) e a Revolução Chinesa (1949) prenunciavam um mundo pós-colonial, mas só a partir de inícios dos anos 1950 a atividade política ganhou maior importância na sua vida. Em 1956, foi criado o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), organização que dirigiu no decurso de uma longa guerra contra o colonialismo português (1963-1974). Paralelamente, Cabral realizava diversas pesquisas agrárias, como estudos de solos em Angola, com Botelho da Costa e Ário Lobo de Azevedo, ou a colaboração com a Brigada de Estudos de Defesa Fitossanitária dos Produtos Ultramarinos. Assassinado em janeiro de 1973 em circunstâncias não totalmente esclarecidas, Amílcar Cabral não assistiu a declaração da independência da Guiné-Bissau nem a queda do mais antigo dos impérios coloniais europeus, na sequência da Revolução Portuguesa de 25 de abril de 1974. O artigo Ideologia, ciência e povo em Amílcar Cabral, de José Neves, professor e pesquisador da Universidade Nova de Lisboa, contribui para o debate em torno do modo de historiadores e cientistas sociais entenderem as relações entre ideologia e ciência, frequentemente consideradas domínios de reinos rivais. No artigo publicado na atual edição de HCS-Manguinhos (vol.24, n.2, abr./jun. 2017), o autor analisa e posiciona-se criticamente diante dos estudos cabralianos e enfoca o modo como os estudiosos de Cabral configuraram sua atividade agronômica. Por fim, Neves submete o conceito cabraliano de “povo” a uma análise genealógica, propondo que a emergência de tal conceito no discurso de Amílcar Cabral deva ser entendida como resultado da interseção entre o desenvolvimento do pensamento nacionalista anticolonial no antigo Império português e o desenvolvimento dos estudos agrários no Portugal metropolitano. Leia em HCS-Manguinhos: Ideologia, ciência e povo em Amílcar Cabral, artigo de de José Neves (vol.24, n.2, abr./jun. 2017)

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