Hoje na História: 370 a.C. – Morre Hipócrates, considerado o "pai da Medicina"

Outubro/2014

Max Altman | Operamundi

Há 2.380 anos, em 370 a. C. morria Hipócrates, considerado o “pai da Medicina” e o maior médico da Antiguidade. Um homem que mudou o conceito desta disciplina, transformando-a numa ciência. Nascido em Cós e pertencendo a uma linhagem de médicos, era previsível que também se dedicasse à medicina.

A medicina era exercida inicialmente pelos sacerdotes. Se tornou ciência médica quando passou a adotar métodos específicos para a pesquisa dos males humanos.

Assim como a filosofia se distanciou dos mitos, a medicina também se afastou dos sacerdotes em busca de soluções que eles não conseguiam dar. Por meio de métodos filosóficos de conhecimento, a medicina grega formou sua própria identidade.

Hipócrates é considerado um dos maiores nomes da ciência. Wikicommons

Hipócrates recebeu as primeiras lições do pai, completando-as com estudo de retórica e filosofia nos dois maiores centros médicos da época, Cós e Cnidos. Era dotado de um agudo espírito de observação e amor ao trabalho.

Sua fama como clínico teria começado em 430-429 a.C. Nesta época, Atenas sofria com uma peste que assolava a população. A epidemia foi derrotada depois que Hipócrates mandou acender fogueiras pela cidade. Ele taria feito isso a partir da observação de que os artesãos, obrigados por profissão a se manter perto do fogo, pareciam imunes ao contágio da doença.

Um dos seus conceitos terapêuticos foi a distinção entre sintomas e doenças. Os sintomas eram apenas manifestações exteriores de algo que estava ocorrendo no organismo. O procedimento tinha por objetivo descobrir como funcionava o corpo humano, levando sempre em conta a ação do ambiente e da alimentação. Elaborou e cumpriu um rigoroso código de ética, cujos preceitos estão contidos no juramento que até hoje todo médico faz ao se formar.

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.

Se eu cumprir esse juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e minha arte boa reputação entre os homens e para sempre. Se dele me afastar ou infringi-lo, suceda-me o contrário.”

Como características principais, destacava-se a tranquilidade, a seriedade, a reflexão e a discrição. Na busca de maiores conhecimentos buscava pensar em como aquilo poderia trazer benefícios aos enfermos e também a seus colegas de profissão. No ‘Corpus Hippocraticum’ é possível encontrar certas descrições de estados mórbidos que constituem verdadeiros modelos de observação clínica.

“Ares, Águas e Lugares” é considerado o primeiro e grande tratado sobre saúde pública, climatologia e fisioterapia. Do ponto de vista clínico, um dos principais pontos do legado de Hipócrates são as descrições de inúmeros casos reais de doenças. Ainda hoje são consideradas modelos do que deva ser uma história clínica sucinta; claras e breves.

Um exemplo de suas descrições, sobre um caso de difteria: “A mulher com anginas que vivia em Aristion. Sua enfermidade começou na língua; voz inarticulada, língua vermelha e com manchas. Primeiro dia, tiritou de frio; em seguida, sentiu calor. Terceiro dia:calafrios, febre aguda; inflamação avermelhada e dura em ambos os lados do pescoço e do peito; extremidades frias e lívidas; respiração agitada; devolução de bebidas pelo nariz; não podia engolir; evacuações e urina supressas. Quarto dia: todos os sintomas agravados.Quinto dia: morreu”.

Seu grande mérito foi utilizar método científico na cura das doenças, iniciar a literatura médica e os registos clínicos. Em sua escola se cria a deontologia profissional, expressa no célebre juramento. Nele se resumem, com admirável precisão e atualidade, os principais deveres do clínico no exercício da profissão.

Pela primeira vez, Hipócrates tratou a epilepsia como doença. O opúsculo ‘Sobre a doença sagrada’ que cuida do assunto, é considerado um dos mais acabados exemplos do racionalismo grego:

“Vou agora discutir a respeito da doença a que chamam de sagrada. Na minha opinião ela não é nem mais divina nem mais santa que qualquer outra doença tendo, ao contrário, uma causa natural, sendo que sua suposta origem divina se deve à inexperiência dos homens e ao seu espanto ante seu carácter peculiar. Ora, enquanto os homens ficam assim a crer em sua origem divina, por motivo de não conseguirem explicá-la, na realidade estão a repelir sua divindade,com o emprego do fácil método de curar que consiste em purificações e encantamentos. Mas se a houvermos de considerar como divina só porque é espantosa, não existirá apenas uma, mas sim muitas doenças sagradas, pois que demonstrarei que outras doenças há que não são menos maravilhosas e portentosas.”

Fonte: Operamundi

Leia em HCSM:

– Da natureza do homem Corpus hippocraticum, de Henrique Cairus

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