História das Psicoterapias é tema de Conferências Internacionais

Junho/2018

A Casa de Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e o Health Humanities Centre, da University College London (HHC/UCL) promovem no dia 12 de julho de 2018 um ciclo de conferências internacionais sobre as Histórias Transculturais das Psicoterapias. As inscrições, gratuitas, já estão abertas. O evento é voltado a estudantes de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores da Fiocruz e outras instituições nas áreas de ciências humanas, ciências sociais, história das psicoterapias e áreas afins. Os interessados devem enviar seus dados pelo e-mail: encontrohistpsicoterapias@gmail.com

As duas primeiras edições das conferências foram organizadas pelo professor e pesquisador Sonu Shamdasani nos anos de 2016 e 2017 no Institute of Advanced Studies, um centro de excelência da UCL, em Londres. A terceira edição acontecerá no Centro de Documentação em História da Saúde (CDHS), nova sede do arquivo, do ensino e do Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde da COC/ Fiocruz.

A organização do evento é da professora do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (PPGHCS/COC), Cristiana Facchinetti, representante brasileira do grupo. Nesta edição, o número de participantes foi ampliado, tendo incorporado alguns membros da Rede Ibero-americana de Pesquisadores em História da Psicologia, coordenada por Cristiana até 2017. Atualmente o grupo é composto por 13 membros de diferentes países e de instituições internacionais de excelência.

O professor Sonu fará a primeira conferência. Ele também se notabilizou por ser responsável pela publicação do famoso “The Red Book” ou “O Livro Vermelho” de Jung. Falará sobre a rede de pesquisa que ele fundou em 2016. Segundo o professor, é incontestável o impacto das psicoterapias modernas nas sociedades a partir do século 20. Embora tenham tido início no Ocidente, as psicoterapias foram apropriadas pela medicina, psicologia, religião, arte e filosofia de diferentes partes do mundo, circulando por todo o planeta.

Apesar da importância que adquiriram ao longo do último século, a historiografia sobre o tema ficou muito aquém do impacto social e do papel que elas desempenham na contemporaneidade. “Para superar esse obstáculo é que o grupo se reuniu em torno dessa rede, a fim de apresentar e debater, conjuntamente, histórias de psicoterapias de contextos locais distintos, com vistas a expandir a historiografia sobre o tema e dar a ela maior densidade e diversidade, com a inclusão de narrativas que trazem além da apropriação dos conhecimentos propriamente científicos, variáveis culturais, sociológicas, temporais e geográficas”, afirmou Cristiana Facchinetti.

O segundo conferencista é o argentino Alejandro Dagfal, da Universidad de Buenos Aires. Dagfal ganhou prêmio com sua tese sobre a circulação da psicanálise lacaniana entre a América Latina e a França. Na presente conferência, abordará as Psicoterapias na Argentina, de Janet a Lacan.

Da Itália, virá o professor Marco Innamorati, da Università di Roma Tor Vergata. Innamorati investiga a atitude do ambiente católico em relação às psicoterapias, demonstrando um período inicial marcado por completa oposição até o pós-Segunda Guerra Mundial, quando houve tentativas de integrar as psicoterapias à cultura católica, com diferenças geográficas e contextuais na aceitação e na rejeição da psicanálise e da psicologia analítica.

O Chile será representado por Luís Mariano Ruperthuz, da Universidad Diego Portales. Mariano produziu uma tese, transformada em livro, sobre a história da circulação da psicanálise no Chile e é autor também de diferentes obras sobre a história da psicanálise na América Latina. Sua apresentação estará voltada para a divulgação científica da psicanálise no Chile, bem como pela apropriação local dessas leituras freudianas.

Com o título “Quase-Morte – Como a psiquiatria transformou um fenômeno popular em Insight terapêutico”, a professora Jelena Martinovic, do Institut Universitaire d’Histoire de la Médecine et de la Santé Publique, de Lausanne, Suíça, é outra convidada aguardada ao evento. Jelena desenvolve trabalhos sobre o uso de terapia psicodélica nas ciências experimentais, nas psicoterapias e nas “artes de morrer” contemporâneas. Escreveu um livro sobre como as sensações de bem-estar, experiências fora do corpo, viajar através de um túnel escuro ou outras representações relacionadas a experiências de quase morte foram integradas à medicina e psicologia ocidentais a partir da década de 1950.

Já Suzanne Hollman, da americana Divine Mercy University, abordará o tema da entrada da psicanálise nos Estados Unidos, em especial, a apropriação feita por William Alanson White (1870-1937), psiquiatra que desempenhou papel considerável como formador de opinião, tradutor, escritor e clínico junto aos jovens psiquiatras das gerações subsequentes interessados no freudismo e na extensão social da psiquiatria para o campo das esquizofrenias.

A Conferência receberá ainda o professor Ulrich Koch, psicólogo, historiador e filósofo das ciências médica da George Washington University, nos Estados Unidos. Seu trabalho é central para o debate, já que é um pesquisador dedicado a investigar a história e a epistemologia das profissões da saúde mental e seus envolvimentos interdisciplinares, buscando demonstrar como tais trocas interdisciplinares moldaram discussões contemporâneas sobre vulnerabilidade psíquica e a relação entre paciente e psicoterapeuta.

Fechando o ciclo de conferências, falará a organizadora  do evento internacional “Rumo a Histórias Transculturais das Psicoterapias”, a psicanalista e historiadora Cristiana Facchinetti, que é membro-fundadora da Rede, além de ser parceira de Sonu Shamdasani desde 2013. Cristiana irá apresentar resultados de uma pesquisa de três anos coordenada por ela sobre a história do Hospício Nacional de Alienados, em que se discute a circulação de ideias psiquiátricas e práticas naquela que foi a primeira instituição psiquiátrica especializada da América Latina (PROEP / CNPq). O material selecionado diz respeito à relação entre arte e psicoterapia para internos no asilo.

Serviço do evento

Título: Rumo a Histórias Transculturais das Psicoterapias
Data:  12 de julho de 2018
Local: Centro de Documentação e História da Saúde – CDHS
Endereço: Avenida Brasil, 4365 – Manguinhos
Inscrições gratuitas:  até dia 30 de junho de 2018 pelo e-mail: encontrohistpsicoterapias@gmail.com
Vagas limitadas.

Organização

Casa de Oswaldo Cruz – Fundação Oswaldo Cruz
Health Humanities Centre – University College London

Programação – 12 julho de 2018

10h – ABERTURA

10h20 – 11h: Sonu Shamdasani (UCL – London)

Rumo a Histórias Transculturais das Psicoterapias

11h – 11h40: Alejandro Dagfal (Universidad de Buenos Aires)

Uma Breve História das Psicoterapias na Argentina, de Janet a Lacan. A Persistência da Psicanálise como Referencial Teórico Subjacente.

11h40 – 12h20: Marco Inamoratti (Università di Roma Tor Vergata)

Psicanálise, Psicologia Analítica e a Igreja na Itália. Da década de 1930 à década de 1960

12h20 – 13h: Mariano Ruperthuz (Universidad Diego Portales – Santiago)

“Freud para Todos”: Psicoterapia Popular para os Chilenos (1930 – 1940)

13h – 14h

ALMOÇO

14h – 14h40: Jelena Martinovic (Institut Universitaire d’Histoire de la Médecine et de la Santé Publique – Lausanne)

Quase-Morte. Como a Psiquiatria Transformou um Fenômeno Popular       em Insight Terapêutico

14h40 – 15h20: Suzanne Hollman (Divine Mercy University – Virginia)

Willian Alanson White e a Evolução da Psicoterapia no Hospital St Elizabeth (1903 -1937)

15h20 – 15h40

COFFE-BREAK

15h40 – 16h20    Ulrich Koch (George Washington University – D.C.)

A Relação Terapêutica: Emergência, Eclipse e Transformações de um Objeto Epistêmico

16h20 – 17h: Cristiana Facchinetti (Casa de Oswaldo Cruz /Fiocruz – Rio)

Psicoterapias, Trabalho e Arte: Apropriações Freudianas na Psiquiatria Brasileira (1925 -1945)

Leia em HCS-Manguinhos:

Culturas psi: psicanálise, subjetividade e política
Leia a Carta dos Editores Convidados do novo suplemento (vol.24, supl.1, 2017)

Saúde mental é tema de edição de HCS – Manguinhos
Edição marca o 15º aniversário da lei da reforma psiquiátrica

Saberes e práticas psicanalíticas nas ciências sociais
Luiz Fernando Dias Duarte discute as apropriações da psicanálise pela sociologia e a antropologia

Corpo e pessoa no projeto de Nise da Silveira
Artigo examina os fundamentos médico-científicos de Nise da Silveira a partir de fontes do Museu de Imagens do Inconsciente

Almas delirantes, 1925: a poética da psique humana
Diretor clínico da Casa de Saúde do Telhal, que tratava dos militares portugueses perturbados psiquicamente após servirem na Primeira Guerra, Luís Cebola era um mediador entre o universo da doença mental e a sociedade. Leia artigo de Denise Pereira nesta edição de HCS-Manguinhos (vol.25, n.1, jan./mar. 2018).

Caps: território e interdisciplinaridade em entrevista com Pedro Gabriel Delgado
Michelle de Almeida Cézar e Walter Melo analisam entrevista semiestruturada com o articulador do projeto que deu origem à Lei da Reforma Psiquiátrica e coordenador nacional de saúde mental durante dez anos

Nota de pesquisa discute recepção da psicanálise no Rio de Janeiro há um século
Rafael Dias de Castro, professor do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado de Minas Gerais, traz subsídios para os debates sobre histeria, nervosismo e sexualidade de 1908 a 1919

Do psíquico ao somático: a reconfiguração do self contemporâneo
A passagem de uma compreensão psicológica da pessoa para uma compreensão somática/cerebral é o tema de artigo de Jane Russo no suplemento de HCS-Manguinhos sobre culturas psi.

Artigo discute psicanálise e sociologia do consumo na Itália nos anos 1960
Francesco Alberoni navegava em dois mundos: o corporativo e o acadêmico, explica Mauro Pasqualini nesta edição de HCS-Manguinhos

Psicanálise e neurociências: contornos difusos?
Artigo discute a noção de plasticidade cerebral, que permite a coexistência da psique com o cérebro

Caleidoscópio da história: a psicanálise no Brasil em coletânea alemã
Pedro Felipe Neves de Muñoz resenha livro de Chirly dos Santos-Stubbe, Peter Theiss-Abendroth e Hannes Stubbe

Catolicismo, fascismo e psicanálise na Itália
O padre franciscano Agostino Gemelli (1878- 1959), figura central da psicologia italiana nas décadas de 1930 e 1940, desempenhou um papel importante na articulação entre o mundo católico e o fascismo na Itália.

Freud para todos: Chile, 1920-1950
O início da circulação e disseminação do freudianismo na cultura de massa na sociedade chilena na virada do século XX é o tema do artigo de Mariano Ruperthuz Honorato na edição especial de HCS-Manguinhos sobre culturas psi (vol.24, supl.1, 2017)

Freud e os chilenos
Cristiana Facchinetti resenha livro de Mariano Ruperthuz Honorato sobre os primórdios da psicanálise no Chile

 

 

 

 

Leave a Reply