‘Filantropia e Estado: novos paradigmas’ – chamada para número especial

Janeiro/2018

Christiane Maria Cruz de Souza (IFBA), Maria Renilda Barreto (Cefet/RJ), Renato Franco (UFF) e Tânia Pimenta (COC/Fiocruz)

Pintura de Thomas Ender. Clique para ampliar.

Nas últimas décadas, a historiografia tem abandonado abordagens “essencialistas” que valorizam uma interpretação etapista e homogeneizante das instituições de assistência optando por análises que garantam a historicidade, a especificidade e a complexidade dos aparatos de auxílio que despontaram a partir de meados do século XVIII em diferentes regiões do mundo ocidental. A partir de então, o cuidado com os pobres e o papel dos hospitais não passaria incólume à ressignificação semântica proposta pelas correntes racionalistas, que tiveram nos Estados os principais emuladores de políticas cada vez mais “nacionais”, colocando noutros termos as noções de caridade, pobreza e utilidade social.

Se por um lado, os Estados foram efetivamente atores fundamentais e eficazes em substituir a caridade por noções abstratas de civilidade e cidadania, por outro, o modelo pautado na participação das elites, em consonância com os novos significados de atuação – sem eliminar os antigos sentidos religiosos – permaneceu personalista e localista, denunciando a íntima relação entre Estado e micro poderes que deu corpo às ações assistenciais. A formulação de políticas “públicas” levadas a cabo por indivíduos e/ou instituições privadas foram elemento-chave na compreensão da gênese e na estruturação dos poderes políticos tanto em termos nacionais, quanto locais. Nesse sentido, qualquer separação mecânica entre atraso e progresso, atribuindo à assistência um arcaísmo intransigente, mostra-se empobrecedora. O desafio é compreender o sucesso de instituições  tradicionalistas que foram, também, os principais vetores do pensamento científico e da reinvenção da assistência na modernidade.

A análise detida sobre os sentidos históricos que as instituições de assistência assumiram e sua relevância política na formação do Estado são os dois eixos que devem orientar as proposições para um número especial de História, Ciências, Saúde – Manguinhos. A edição tratará de: 1) compreender a historicidade dos repertórios de ação assistencial dentro dos contextos em que foram formulados; 2) analisar como historicamente as relações de força no interior das instituições formularam, negaram, fizeram escolhas e foram fundamentais no sentido de estruturar a dinâmica da rede assistencial que esteve no bojo dos Estados nacionais.

O prazo para submissão de trabalhos para o número especial é 30 de julho de 2018. Os originais poderão ser submetidos nos idiomas português, espanhol e inglês. Serão aceitos trabalhos para as seções Análise, Imagens, Nota de Pesquisa e Fontes. Consulte aqui as instruções aos autores de História, Ciências, Saúde – Manguinhos.

Veja o que HCS-Manguinhos já publicou sobre filantropia e assistencialismo:

 

Barreto, Maria Renilda Nery. Pro Matrearquivo e fontes para a história da maternidade no Rio de JaneiroHist. cienc. saude-Manguinhos, Dez 2011, vol.18, suppl.1, p.295-301. ISSN 0104-5970

Santos, Vicente Saul Moreira dos. Filantropia, poder público e combate à lepra (1920-1945)Hist. cienc. saude-Manguinhos, Dez 2011, vol.18, suppl.1, p.253-274. ISSN 0104-5970

Freire, Maria Martha de Luna and Leony, Vinícius da Silva A caridade científicaMoncorvo Filho e o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (1899-1930)Hist. cienc. saude-Manguinhos, Dez 2011, vol.18, suppl.1, p.199-225. ISSN 0104-597o

Viscardi, Cláudia Maria Ribeiro. Pobreza e assistência no Rio de Janeiro na Primeira RepúblicaHist. cienc. saude-Manguinhos, Dez 2011, vol.18, suppl.1, p.179-197. ISSN 0104-5970

Sanglard, Gisele. Laços de sociabilidade, filantropia e o Hospital do Câncer do Rio de Janeiro (1922-1936)Hist. cienc. saude-Manguinhos, Jul 2010, vol.17, suppl.1, p.127-147. ISSN 0104-5970

Tomaschewski, Cláudia. Caridade e filantropia na distribuição da assistênciaa irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas – RS (1847-1922)Hist. cienc. saude-Manguinhos, Mar 2008, vol.15, no.1, p.237-237. ISSN 0104-5970

Costa, Renato da Gama-Rosa and Sanglard, Gisele. Oswaldo Cruz e a lei de saúde pública na FrançaHist. cienc. saude-Manguinhos, Jun 2006, vol.13, no.2, p.493-507. ISSN 0104-5970

Paiva, Carlos Henrique Assunção. Imperialismo & filantropiaa experiência da Fundação Rockefeller e o sanitarismo no Brasil na Primeira RepúblicaHist. cienc. saude-Manguinhos, Abr 2005, vol.12, no.1, p.205-214. ISSN 0104-5970

Cytrynowicz, Roney. Instituições de assistência social e imigração judaicaHist. cienc. saude-Manguinhos, Abr 2005, vol.12, no.1, p.169-184. ISSN 0104-5970

Sanglard, Gisele and Costa, Renato da Gama-Rosa Direções e traçados da assistência hospitalar no Rio de Janeiro (1923-31)Hist. cienc. saude-Manguinhos, Abr 2004, vol.11, no.1, p.107-141. ISSN 0104-5970

Sanglard, Gisele. Filantropia e assistencialismo no BrasilHist. cienc. saude-Manguinhos, Dez 2003, vol.10, no.3, p.1095-1098. ISSN 0104-5970

 

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