Em 23 de fevereiro de 1942, Stefan Zweig e esposa cometiam suicídio em Petrópolis

Fevereiro/2019

“Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com minha mente lúcida, imponho-me última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e a meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir minha vida, agora que o mundo de minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta ereta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite.
Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.”
(Stefan Zweig em sua carta de despedida, 1942)

Enterro de Stefan Zweig e Lotte Altman no Cemitério Municipal de Petrópolis (Foto: Álbum da família do Rabino Lemle)

Em 23 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig e sua esposa Lotte Altman cometeram suicídio na sua casa em Petrópolis, RJ.

Foram enterrados no dia seguinte no Cemitério Municipal de Petrópolis, com honras de Estado, em cerimônia realizada pelo rabino Henrique Lemle. As autoridades, porém, não permitiram que o casal fosse enterrado num cemitério judaico do Rio.

Leia em HCS-Manguinhos:

Entre o passado europeu e o futuro americano: dois ensaios sobre o Brasil da década de 1930, artigo de Karen Macknow Lisboa, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (v.21, n.1, jan./mar. 2014)

Resumo:

O artigo explora a ideia de Europa concebida por Stefan Zweig e Hermann Ullmann nos livros quase homônimos sobre o Brasil, escritos no final da década de 1930 e início de 1940. No contexto político do entreguerras marcado pela ascensão do nazismo, pergunta-se em que sentido a Europa continua a servir de modelo civilizatório e qual a dimensão crítica que se expressa em concepções que invertem os papéis da Europa e do Brasil. Observa-se ruptura parcial com visões dicotômicas e hierárquicas acerca das relações entre o Velho e o Novo Mundo e sugerem-se novas formas de relação entre essas regiões no contexto mundial. 

Saiba mais sobre a vida e a obra de Stefan Zweig no site da Casa Stefan Zweig