Dia Mundial sem Tabaco alerta para danos ambientais causados pela produção do fumo

Maio/2017

Paula Laboissière – Agência Brasil A produção e o consumo de produtos derivados do tabaco geram importantes impactos socioambientais em todo o planeta. Além dos danos à saúde pública, a produção e o consumo de produtos derivados do tabaco geram importantes impactos socioambientais em todo o planeta – um deles é o uso de lenha para aquecer estufas que secam as folhas de tabaco e que leva ao desmatamento e ao desequilíbrio da biodiversidade em tempo de constantes mudanças climáticas. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Clique para acessar a campanha da OMS para o Dia Mundial sem Tabaco de 2017

No Dia Mundial sem Tabaco 2017, lembrado hoje (31), a entidade adotou como tema da campanha Tabaco: uma ameaça ao desenvolvimento. A proposta consiste em um apelo aos países-membros para que implementem medidas consistentes de controle do tabaco, incluindo a proibição de todo tipo de marketing e publicidade relacionados ao assunto, a adoção de embalagens simples para os produtos e o aumento de impostos especiais voltados para o setor. Custos à saúde e à economia Dados da OMS mostram que o consumo do tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas todos os anos e custa aos lares e aos governos mais de US $ 1,4 trilhão, em razão de despesas com saúde e da perda de produtividade. “O tabaco ameaça a todos nós”, alertou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. “Ele exacerba a pobreza, reduz a produtividade econômica, contribui para pobres escolhas alimentares domésticas e polui o ar interior”, completou. “Entretanto, por meio da adoção de medidas robustas de controle, os governos podem salvaguardar o futuro de seus países protegendo usuários e não usuários desses produtos mortais, gerando receitas que financiam a saúde e outros serviços sociais, salvando seus ambientes das devastações provocadas pelo tabaco”, disse Margaret. Cicatrizes ao meio ambiente Ainda segundo a OMS, os impactos do tabaco e de seus derivados na natureza envolvem dados como: – Resíduos de tabaco contêm mais de 7 mil produtos químicos tóxicos que envenenam o meio ambiente, incluindo carcinogênicos humanos. – Emissões de fumaça proveniente do tabaco contribuem com milhares de toneladas de carcinogênicos humanos, tóxicos e gases de efeito estufa para o meio ambiente. – Cerca de 10 bilhões dos 15 bilhões de cigarros vendidos todos os dias no mundo são descartados no meio ambiente. – Bitucas de cigarro respondem por 30% a 40% de todos os itens coletados em limpezas costeiras e urbanas. Ameaça a mulheres e crianças A entidade alerta ainda que o tabaco representa ameaça a todo tipo de população e também ao desenvolvimento nacional e regional dos países sob diversos aspectos, incluindo: – Pobreza: cerca de 860 milhões de fumantes adultos vivem em países de baixa e média renda. Estudos mostram que nos lares mais pobres, gastos com produtos derivados do tabaco representam mais de 10% do orçamento, o que significa menos renda para alimentação, educação e saúde. – Infância e educação: as plantações de tabaco comprometem o acesso de crianças à escola, já que entre 10% e 14% das famílias que vivem em fazendas onde o produto é cultivado perdem aula em razão do trabalho na lavoura. – Mulheres: entre 60% e 70% dos trabalhadores de lavouras de tabaco são mulheres, o que as coloca em contato constante com produtos químicos perigosos à saúde. – Saúde: o tabaco responde por cerca de 16% de todas as mortes provocadas por doenças crônicas não transmissíveis. Brasil Dados do Instituto Nacional do Câncer indicam que, em 2011, foram gastos R$ 23 bilhões com o tratamento de algumas das mais de 50 doenças relacionadas ao tabaco. Já a arrecadação com impostos sobre cigarros recolhidos no mesmo ano foi da ordem de R$ 6 bilhões. “Mas o custo do tabagismo no Brasil, avaliado pela pesquisa, ainda está subestimado: não incluiu o custo gerado pelo absenteísmo, a perda de produtividade, as despesas das famílias, entre outros gastos indiretos relacionados ao tabaco”, destacou o órgão. Durante as atividades do Dia Mundial sem Tabaco, está prevista a divulgação de novo estudo com dados atualizados sobre o impacto econômico do tabagismo no Brasil, incluindo custos com a perda de produtividade. Edição: Graça Adjuto/EBC Leia em HCS-Manguinhos: Em defesa dos fumantes e dos não fumantes, resenha de Luiz Antonio Teixeira sobre o livro Riscos à saúde: fumaça ambiental do tabaco – pontos para um debate (vol.19, no.2, jun 2012) Neurociências, artes gráficas e saúde pública: as novas advertências sanitárias para maços de cigarros, artigo de Billy Nascimento, E.M. et al.(vol.17, supl.1, jul 2010) Nunca aos domingos:um estudo sobre a temática do câncer nas emissoras de TV Brasileiras, artigo de Claudia Jurberg e Marina Verjovsky (vol. 17, supl.1, jul 2010) Washington y Ginebra llegan a Buenos Aires: notas sobre la historia del hábito de fumar y su medicalización, artigo de Diego Armus, (vol.22, no.1, mar 2015) Câncer no século XX: ciência, saúde e sociedadeedição especial de História, Ciências, Saúde – Manguinhos (vol. 17, supl. 1, jul/2010)

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