Desigualdades em saúde na América Latina são maiores no Haiti e menores em Cuba

Daniela Hirschfeld / Scidev.Net

A qualidade do atendimento oferecido às pessoas na América Latina e no Caribe varia consideravelmente de país para país, de acordo com um estudo recente conduzido por pesquisadores da Argentina e da Colômbia. Eles construíram um índice de medição de equidade em saúde nos 20 países da região e publicaram os resultados na revista Gaceta Sanitaria.

Para construir o índice, os pesquisadores analisaram 16 indicadores de saúde, incluindo mortalidade infantil, número de médicos, cobertura de vacinação contra sarampo, partos assistidos por pessoal de saúde qualificado, despesas de saúde e acesso a água potável, no período de 2005 e 2010.

Os vizinhos Cuba e Haiti figuram em extremos opostos da lista. Por exemplo, enquanto Cuba tem uma taxa de mortalidade infantil de cinco para cada mil nascidos vivos, no Haiti, o número sobe para 64 por mil. Todos os nascimentos em Cuba são assistidos por pessoal de saúde qualificado – número que no Haiti chega a apenas 26%. Em Cuba, 95% das crianças menores de um ano foram vacinadas contra o sarampo; no Haiti, só 59%.

Depois de Cuba, encontram-se nas melhores posições do ranking Argentina, Uruguai, Chile, México e Brasil, nesta ordem. Entre os mais mal colocados, antes do Haiti, estão Guatemala, Bolívia, Venezuela e Honduras. Em países como Chile e Uruguai, investe-se cerca de dez vezes mais em saúde per capita do que em outros como Bolívia e Haiti.

“A diferença entre os países latino-americanos é grande”, diz Doris Cardona, do Grupo de Pesquisa em Epidemiologia e Bioestatística da CES University, na Colômbia, principal autora do estudo. Segundo ela, os resultados podem ajudar os governos da América Latina a trabalhar ações, políticas e programas para reduzir as desigualdades em saúde. O índice também pode ser usado para monitorar as desigualdades e avaliar o impacto das políticas sobre eles. O estudo não mediu as desigualdades dentro de cada país, mas a ferramenta pode ser usada para este fim. Ela permite também a incorporação de novos indicadores.

Fonte: Scidev.net (versão em espanhol e em inglês)

Leia o artigo completo na Gaceta Sanitaria (arquivo PDF em espanhol)

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