Cruz Vermelha é tema de dossiê de HCS-Manguinhos

Agosto/2016

capa 23-3_vertOs debates e as controvérsias de Edgard Roquette-Pinto com expoentes da antropologia física norte americana no início do século 20, entre os quais Charles Davenport, Madison Grant e Franz Boas, são tema do artigo que abre a última edição da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, já disponível na íntegra no portal Scielo. Ao todo, o número traz 16 artigos sobre temas como medicalização e homeopatia na América Latina, incluindo o dossiê Humanitarismo, guerra e inovação tecnológica na Espanha.

O primeiro artigo deste número analisa a participação do antropólogo brasileiro, cuja produção rechaçou o racismo científico, nas discussões internacionais sobre miscigenação. O texto também problematiza as diferentes formas de leitura e de apropriação intelectual, a circulação internacional de ideias e o modo como as interpretações antropológicas produzidas por Roquette-Pinto ganharam novos sentidos ao romper as fronteiras nacionais.

A partir das atividades e debates levados a cabo no âmbito do movimento internacional da Cruz Vermelha, o dossiê publicado nesta edição explora os processos de produção e circulação de inovações tecnológicas destinadas a atenuar o sofrimento das vítimas de guerras e outros eventos catastróficos. Os artigos abordam temas como a repatriação de soldados das guerras coloniais e o desenvolvimento da ciência médica na Espanha entre 1896 e 1950; comunicação científica e inovação tecnológica na primeira Cruz Vermelha de 1863 a 1876; e a atuação da Cruz Vermelha espanhola no Marrocos.

Esta edição inclui também uma discussão sobre como a posição de dominância das empresas estaduais de saneamento condiciona o processo decisório da política pública de saneamento no Brasil. Os autores identificaram, a partir de uma análise de conteúdo da legislação proposta para o setor e de outros materiais, as principais fontes de incentivo instituídas pela adoção do Plano Nacional de Saneamento que explicariam determinados aspectos estruturais na política atual de saneamento e sua forte resiliência às inovações propostas no contexto democrático.

A crescente categorização de condutas e experiências como doenças ou desordens e sua conseguinte incorporação ao campo dos saberes e do exercício dos profissionais da biomedicina, fenômeno conhecido como biomedicalização, é tema de outro artigo deste número. O trabalho apresenta uma revisão da literatura relacionada aos estudos sociológicos desses processos na América Latina e analisa a apropriação desse conceito pelas ciências sociais na região.

HCS – Manguinhos publica neste número uma análise sobre as contribuições das principais obras de Sérgio Buarque de Holanda para a história ambiental, sobretudo as interpretações das interferências cruzadas entre sociedades humanas e o meio natural. A autora aponta que as temáticas abordadas pelo historiador, que marcou o debate historiográfico na segunda metade do século 20, continuam presentes em estudos contemporâneos, incluindo os problemas de ocupação do território e da organização social do Brasil.

Esta edição inclui também um trabalho sobre a pouco conhecida trajetória de Maria Bandeira, primeira botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A partir de sua atuação – marcada pelo significativo número de espécimes de plantas, fungos e líquens coletados, a expertise em alcançar locais de difícil acesso, a extensa correspondência com especialistas estrangeiros e sua ida para estudar na Sorbonne – os autores do artigo analisam o “fazer botânica” e as redes de sociabilidades nas ciências à época.

Pioneiro na introdução de técnicas médicas para controle do câncer do colo de útero no Brasil, o Instituto de Ginecologia do Rio de Janeiro é objeto de análise de outro artigo. O texto discute o instituto a partir de duas frentes de atuação: a afirmação da ginecologia como especialidade médica e a divulgação de um modelo de referência para o controle da doença.

Integram a edição ainda artigos que abordam diferentes temas, incluindo: a história de um antigo compasso topográfico em exibição em um museu de ciências do Rio de Janeiro; a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem e a Sociedade Brasileira de Urologia; a divulgação da bacteriologia na Gazeta Médica da Bahia no século 19; a ceroplastia e a medicina legal na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo entre 1934 e 1950; e novas evidências documentais para a história da homeopatia na América Latina.

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