Com projeto ‘Enfermagem e raça’, Luiz Otávio Ferreira é contemplado em concurso da Fundação Carlos Chagas/Fundação Ford

Maio/2016

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Luiz Otávio Ferreira

O projeto Enfermagem e raça: biografia coletiva de mulheres negras e suas trajetórias em escolas de enfermagem no Brasil (1920-1960), de Luiz Otávio Ferreira, pesquisador e professor da Casa de Oswaldo Cruz (COC)/Fiocruz e da Faculdade de Educação da Uerj, foi contemplado no Concurso de Pesquisa Negras e Negros nas Ciências, promovido pela Fundação Carlos Chagas com o apoio da Fundação Ford.

O projeto pretende analisar como mulheres negras e pardas ingressaram ou foram excluídas do corpo de estudantes de três escolas de enfermagem – Ana Nery, Carlos Chagas e Rachel Haddock Lobo – entre as décadas de 1920 e 1960.

“Propomos o desenvolvimento de uma biografia coletiva – prosopografia – das mulheres negras e pardas que tentaram ou efetivamente se profissionalizaram como enfermeiras”, explica Ferreira.

Para o estudo dos mecanismos de inclusão/exclusão serão utilizados os acervos dos centros de documentação e memória mantidos por estas escolas, nos quais destacam-se a documentação relacionada ao processo de recrutamento de candidatas e a vida escolar das alunas. “São dossiês formados pelos registros escolares que acompanham a percurso das estudantes desde o ingresso até a conclusão ou exclusão do curso de enfermagem”, revela.

Enfermagem e Raça é um desdobramento de um projeto mais amplo que envolve vários aspectos relacionados à institucionalização da enfermagem moderna no Brasil ao longo do século XX, apoiado pelo CNPq e desenvolvido em parceria por pesquisadores da COC/Fiocruz, da Escola de Enfermagem Ana Nery da UFRJ, da Escola de Enfermagem da UFMG e da Faculdade de Enfermagem da UERJ. O projeto Estudantes de Enfermagem do Brasil: identidade profissional e perfil sociocultural (1920-1960) visa responder quais são as características socioculturais das profissionais do cuidado – classe social, origem regional, escolaridade, sociabilidades, gênero, raça, religião e destino profissional. Não é, portanto, uma pesquisa especificamente de gênero ou raça, mas contempla tais questões.

“Quando tomamos conhecimento do edital resolvemos elaborar um projeto específico tematizando a questão da raça, um tema clássico na historiografia internacional de enfermagem”, conta Ferreira. Ele explica que o projeto pretende contribuir para a compreensão da importância de dimensão de raça na formulação e implantação de políticas públicas nas áreas de saúde e educação.

O projeto Enfermagem e Raça foi um dos cinco vencedores do concurso da Fundação Carlos Chagas/Fundação Ford de um total de 75 inscritos. O concurso visa apoiar a realização de diagnósticos e estudos a partir da consolidação de dados quantitativos e qualitativos que permitam identificar a participação ou não de negras e negros no campo das ciências.

Luiz Otávio Ferreira publicou diversos artigos em HCS-Manguinhos, como A higienização das parteiras curiosas: o Serviço Especial de Saúde Pública e a assistência materno-infantil (1940-1960), com Tânia Maria de Almeida Silva. Para acessar outros, use a busca por autor.

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