Coleções de Joséphine

Novembro/2014

Josephine Schouteden Wery

Josephine Schouteden Wery

Nascida em 4 de julho de 1879 em Bruxelas, Joséphine Schouteden-Wéry foi uma mulher à frente do seu tempo. Aos 25 anos, diplomou-se em botânica e especializou-se em anatomia, fisiologia e paleontologia dos vegetais. Joséphine dedicou-se especialmente aos estudos de algas e colaborou com diferentes biólogos. Publicou artigos na Revue de l’Université de Bruxelles e em outros periódicos importantes e foi membro de sociedades científicas, como a Real Sociedade Botânica da Bélgica. Apresentada em suas biografias como botânica, arqueóloga e feminista, era casada com Henri Schouteden, doutor em ciências e diretor do Museu do Congo. Na colônia belga na África, prosseguiu seus estudos e desempenhou papel de destaque junto à L’Union des Femmes Coloniales. No artigo Joséphine Schouteden-Wéry no litoral belga: uma bióloga entre o trabalho de campo e a formação de coleções, publicado em História, Ciências, Saúde – Manguinhos, as pesquisadoras do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) Alda Heizer e Aline Cardoso Cerqueira apresentam resultados e aspectos relacionados à prática de campo da bióloga no litoral belga, registrados em artigo no periódico Recueil de L’Institut Botanique Léo Errera, da Universidade de Bruxelas, em 1911. As pesquisadoras contam o que as motivou para esta pesquisa. Por que estudar Joséphine Schouteden-Wéry?  Quando pesquisávamos na biblioteca do JBRJ, identificamos no material sobre o Jean Massart, biólogo e conservador belga que esteve no Brasil nos primeiros anos da República, um artigo de Joséphine Schouteden-Wéry. Chamou-nos atenção o detalhamento da pesquisa, fruto de sua resposta à Real Sociedade de Ciências Naturais e Médicas de Bruxelas sobre os fatores geológicos, climáticos, hidrológicos, entre outros, que regulam a distribuição geográfica das espécies. Qual a sua importância como mulher em seu tempo? É possível identificar sua participação em diferentes espaços de sociabilidade e sua independência em relação à pesquisa. A bióloga participou de viagens de estudos no Congo, entre outros países. Quais as suas principais contribuições para a ciência, da Bélgica ao Congo? A formação de coleções, frutos de coletas de campo extensas e detalhadas, e a sua atuação nos debates científicos da época. Cem anos depois, o quanto avançaram as mulheres na ciência e o que falta conseguir?  Existem trabalhos de pesquisa importantes sobre as trajetórias de mulheres que realizavam expedições durante o século XX. As informações sobre a sua atuação em laboratórios e trabalhos de campo estão depositadas em acervos de museus e jardins botânicos tanto no Brasil quanto no exterior. Trata-se de um material riquíssimo e que analisado poderá contribuir para a desnaturalização de constantes sobre a participação de mulheres nas pesquisas científicas. Leia em HCS-Manguinhos: Joséphine Schouteden-Wéry no litoral belga: uma bióloga entre o trabalho de campo e a formação de coleções Sumário da edição “Oceanos e mares: histórias, ciências e políticas” (vol.21 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2014) Como citar este post [ISO 690/2010]:
Coleções de Joséphine. Blog de História, Ciências, Saúde – Manguinhos. [viewed 08 November 2014]. Available from: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/colecoes-de-josephine

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