Cirurgia plástica e terapia hormonal no Brasil: uso social na feminilidade moderna

Junho/2016

Lipoaspiração. Foto: Reprodução/Wikipedia.

Lipoaspiração. Foto: Reprodução/Wikipedia.

“Nas cidades brasileiras não faltam farmácias, salões de beleza, academias de ginástica, lojas voltadas para a alimentação saudável, consultórios médicos privados e serviços estéticos pseudomédicos. Os pacientes com quem tivemos contato encaram as práticas hormonais e a plástica como parte integral de formas comuns de cuidar-se, que incluem exercícios físicos e controle do peso, a ida ao salão de beleza para fazer as unhas ou um alisamento nos cabelos, manter o corpo bronzeado ou fazer depilação. Não há, portanto, uma distinção clara entre os tratamentos estéticos, higiênicos, eróticos e médicos; da mesma forma, é bem tênue a linha que distingue as intervenções médicas necessárias das fundamentações difusas de melhoria da autoestima ou gerenciamento de exigências da vida.”

O trecho acima está no artigo Entre saúde e aprimoramento: a engenharia do corpo por meio de cirurgias plásticas e terapias hormonais no Brasil, de Alexander Edmonds, da University of Edinburgh, Reino Unido, e Emilia Sanabria, da Ecole normale supérieure de Lyon, França, publicado na atual edição de HCS-Manguinhos (vol. 23, n.1, jan./mar. 2016), que trata da biomedicalização dos corpos brasileiros. O estudo dos pesquisadores baseia-se no trabalho de campo desenvolvido em dois projetos de pesquisa no Brasil sobre cirurgia plástica e terapias de hormônio sexual. Segundo eles, há uma sobreposição clínica significativa dessas duas terapias, e ambas estão disponíveis nos sistemas de saúde público e privado de tal forma que revelam a dinâmica de classes subjacente à medicina brasileira.

Para os pesquisadores, o uso medicinal experimental desses tratamentos está associado a um uso “social”: as mulheres os adotam em resposta a pressões, ansiedades e aspirações no âmbito profissional e na vida pessoal. “Essas técnicas experimentais estão se tornando moralmente autorizadas como um controle rotineiro da saúde da mulher, integradas aos tratamentos predominantes de obstetrícia e ginecologia, e sutilmente confundidas com práticas de cuidados pessoais que são vistas no Brasil como essenciais para atingir uma forma de feminilidade moderna”, argumentam.

Leia em HCS-Manguinhos:

Entre saúde e aprimoramento: a engenharia do corpo por meio de cirurgias plásticas e terapias hormonais no Brasil, artigo de Alexander Edmonds e Emilia Sanabria (vol. 23, n.1, jan./mar. 2016)

Como citar este post:

Cirurgia plástica e terapia hormonal no Brasil: uso social na feminilidade moderna . Blog de HCS-Manguinhos. [viewed 7 June 2016]. Available from: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/cirurgia-plastica-e-terapia-hormonal-no-brasil-uso-social-na-feminilidade-moderna

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