Artigo discute obra de 1906 sobre brujos e espíritos em Havana

Julho/2015

Reprodução de página de exemplar da edição cubana de 1906 do livro de Fernando Ortiz y Fernandes, à venda na internet

Reprodução de página de exemplar do livro de Fernando Ortiz y Fernandes

Assassinada por um “brujo de prestígio na localidade de El Gabriel, nas cercanias de Havana, a bebê Zoila teve o coração, o sangue e outros órgãos retirados. Pelo sacrifício de Zoila, o acusado, Domingo Boucourt – ou “Bocú” -, e seu comparsa, Victor Molina, foram executados publicamente em 1905. Partes de seus cérebros e objetos rituais foram enviados para exame no Museu Antropológico Luis Montané, na Universidad de la Habana. O caso fez repercutir notícias e interpretações sobre práticas denominadas “fetichistas” e de brujería ocorridas em Cuba. O povo, a polícia e os cientistas queriam entender o que levava praticantes de magia e cura a cometer crimes. O episódio é um dos eventos tratados no livro Hampa afro-cubana: los negros brujos, do cubano Fernando Ortiz y Fernandes (1881-1969), publicado em 1906. O livro é discutido no artigo “Metamorfose infinita: sobre brujos, espíritos e apuntes em Havana”, de Olívia Maria Gomes da Cunha, professora do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ (HCS-Manguinhos, v. 22, n.2, jan./abr. 2015). Apesar de descrições de “cenas repugnantes da miséria moral” e do “fundo selvagem da base social”, o maior interesse de Ortiz y Fernandes era a vida e as “creencias” religiosas que denominava “afro-cubanas“. Para estudar o que chamou de “primitividade moral”, buscava conhecer de perto sujeitos, práticas e lugares e investigar relações com evidências de barbárie e violência. Para Ortiz y Fernandes, a crença nos desígnios sobrenaturais do infortúnio seria resultado da falência do Estado, das elites, dos governantes e da ciência no de diz respeito à oferta de premissas, valores e conhecimentos pautados em uma ordem moral e positiva. O problema é que, para os brujos, não só as explicações e a cura, mas os problemas, eram de outra ordem. O motor da brujería era o desejo da cura da doença, do amor não correspondido e o malefício por parte daqueles que solicitavam trabalhos espirituais aos curandeiros. A eles não importavam o cidadão e suas relações com a ordem, o Estado e a nação, mas os desígnios dos deuses, o desejo dos homens e a sujeição dos corpos. Leia em HCS-Manguinhos: Metamorfose infinita: sobre brujos, espíritos e apuntes em Havana, artigo de Olívia Maria Gomes da Cunha (v. 22, n.2, jan./abr. 2015). Sumário da edição de HCS-Manguinhos (vol.22, no.2, abr./jun. 2015)
Como citar este post [ISO 690/2010]: Artigo discute obra de 1906 sobre brujos e espíritos em Havana. Blog de HCS-Manguinhos. [viewed 7 July 2015]. Available from: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/artigo-discute-obra-de-1906-sobre-brujos-e-espiritos-em-havana/

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