Angrito: expedição buscará meteorito raro em Angra dos Reis

Novembro/2013

cartazmeteoritoPesquisadores e curiosos farão uma expedição a Angra dos Reis no próximo fim de semana (9 e 10 de novembro) em busca de fragmentos de um meteorito que caiu naquela cidade há 150 anos.

O meteorito Angra dos Reis, ou Angrito, é tido como o mais raro do mundo e deu nome a uma classe de meteoritos a qual até recentemente era o único representante. É, também, um dos mais cobiçados entre pesquisadores e colecionadores.

A atividade integra o IV Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões 2013, que acontece de 07 a 10 de novembro no Instituto de Geologia da UFRJ, em parceria com o Museu Nacional. O evento busca divulgar a Meteorítica e a Vulcanologia, duas ciências que despertam tanta curiosidade e que, entretanto, apenas um número limitado de pesquisadores no Brasil se dedica a pesquisas nessas áreas. O Brasil possui poucos meteoritos: apenas 62. Se compararmos aos Estados Unidos, que possui território de extensão semelhante, mas que possui mais de 2.000 meteoritos veremos que o número é realmente baixo. Neste ano o evento fará uma visita ao local onde caiu, a cerca de 150 anos atrás, o meteorito mais raro do mundo: o Angra dos Reis. Este meteorito deu nome a uma classe de meteoritos a qual até recentemente era o único representante. Este meteorito é um dos mais cobiçados entre pesquisadores e colecionadores. Em 1997, um fragmento que se encontra no Museu Nacional foi furtado por um “dealer” (comerciante de meteoritos) e felizmente foi recuperado no aeroporto durante a tentativa de embarque para os Estados Unidos. A queda do Angra dos Reis ocorreu há quase 150 anos, em 1869, na Baía de Angra dos Reis, mais especificamente em frente à Igreja do Bonfim, a apenas dois metros de profundidade. Na época o Dr. Travassos, médico da cidade, passava num bote quando avistou o meteorito caindo no mar. Ele pediu para que seus escravos mergulhassem e estes encontraram duas pedras. Pelo encaixe dos fragmentos é possível afirmar que faltaria uma terceira que não foi encontrada até hoje. Para os pesquisadores existe a possibilidade de haver outras, pois os meteoritos quando caem explodem na atmosfera gerando diversos fragmentos que se dispersam ao longo de uma elipse, chamada elipse de dispersão. O interessante é que além deste pedaço que deve estar no mar até hoje, dos dois pedaços recuperados, um deles foi dado ao juiz de Paz, Dr. Ermelino Leão, que o doou ao Museu Nacional. Já o segundo pedaço o Dr. Travassos doou a seu sogro e em 1888 se esperava que também fosse para o Museu Nacional o que não aconteceu. Ainda em 1888, foi doado ao papa Leão XIII um meteorito metálico com 6,73 kg, tido como se fosse o meteorito caído em Angra dos Reis. Certamente não se tratava do mesmo. Não se sabe por que este meteorito totalmente distinto do Angrito foi confundido com o original. A pedra, avaliada em mais de um milhão de dólares, encontra-se perdida. Será que em poder da família do Dr. Travassos? Será que em alguma casa antiga de Angra? Será que foi jogada fora? Estas são questões que os pesquisadores tentam elucidar. Como reconhecer o Angra dos Reis? Ele é diferente de todos os demais meteoritos: é cor de violeta bem escuro e com uma crosta de fusão brilhante e arrepiada. Nem todos os meteoritos valem muito dinheiro, apenas alguns bem cobiçados, e este é um dos 10 meteoritos mais caros e cobiçados do mundo. Estará presente no evento o Dr. Klaus Keil da Universidade do Havaí, uma das figuras mais importantes do mundo meteorítico, que deu nome a um asteroide e também a um mineral: a Keilita. Fonte: Museu Nacional/UFRJ Saiba mais:  IV Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões 2013  

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