‘A principal lição científica da história é que precisamos de mais ciência’

Março/2016

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Os cortes dramáticos no financiamento de História, Ciências, Saúde – Manguinhos, assim como de outras revistas acadêmicas no Brasil, são criticados pelos editores-científicos Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva na Carta dos Editores do novo número da revista (vol. 23, n.1, jan./mar. 2016), que acaba de ir ao ar. “Temos não só o direito, mas a necessidade de termos comunidades científicas que possam se comunicar através de publicações revisadas por pares. Estamos entre aqueles que acreditam que a pobreza e as desigualdades sociais não devem impedir a ciência e a história. Em países como o Brasil, a principal lição científica da história é que precisamos de mais ciência; precisamos de mais ciência para não cometermos os mesmos erros, para que possamos finalmente vencer a pobreza material e cultural, para que possamos aspirar por um futuro melhor, para que possamos estabelecer um sistema sustentável, de longo prazo, para criar e recriar a nossa riqueza econômica, tecnológica e intelectual”, afirmam os editores. Apesar dos cortes dramáticos no financiamento da revista, os editores anunciam que HCS-Manguinhos conquistou um suporte financeiro significativo de instituições estrangeiras. Além do apoio da British Academy, já mencionado na edição passada, a Wellcome Trust, da Inglaterra, concedeu subsídios que viabilizarão a publicação de artigos de revisão historiográfica, fundamentais para se ter uma visão geral dos principais tópicos estudados nos últimos anos e para ajudar a desenvolver futuros estudos históricos sobre ciência, medicina e da saúde pública no Brasil na América Latina. A concessão também permitirá aumentar o número de artigos traduzidos para o inglês nas edições digitais em 2016. “Mesmo conscientes de que não há recursos financeiros para fazermos uma revista totalmente bilíngue e tradução não é sinônimo de internacionalização, nosso objetivo é ser uma publicação relevante e pertinente a nível nacional e internacional. Desejamos que nossos artigos tenham um impacto no Brasil, na América Latina e no resto do mundo”, afirmam Cueto e Cândido da Silva. Graças ao apoio da British Academy e em parceria com o Journal of Latin American Studies, um workshop sobre os desafios enfrentados pelas revistas interdisciplinares será promovido no Rio de Janeiro de 22 a 24 de junho. Acesse a Carta dos Editores em inglês ou espanhol. Medicalização dos corpos brasileiros O novo número de História, Ciências, Saúde – Manguinhos aborda a medicalização dos corpos brasileiros, um processo social, médico e científico que tem sido criteriosamente estudado por importantes antropólogos. Os artigos discutem como diagnósticos, tratamentos e outras técnicas biomédicas são utilizadas nos sistemas público e privado de saúde no país. Autores brasileiros e estrangeiros analisam as biologias e as políticas locais e investigam o surgimento de tecnologias inseridas em realidades sociais descritas minuciosamente, que revelam a violência cotidiana, e especialmente em relação ao corpo da mulher. Leia a Carta das Editoras Convidadas Ilana Löwy e Emilia Sanabria. O número traz ainda um artigo de autoria de Andreza Rodrigues Nakano, Claudia Bonan e Luiz Antônio Teixeira que discute, a partir da perspectiva provocadora do biólogo e filósofo da ciência polonês Ludwik Fleck, os temas levantados num livro que foi fundamental para obstetrícia e cesarianas durante o século XX. Há ainda uma entrevista com um dos principais historiadores da medicina nos Estados Unidos, Charles Rosenberg, da Universidade de Harvard, que apresenta ideias intrigantes. Acesse o sumário da edição (vol. 23, n.1, jan./mar. 2016) Carta das Editoras Convidadas: A medicalização dos corpos brasileiros na nova edição de HCS-Manguinhos Ilana Löwy e Emilia Sanabria são as editoras convidadas

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