A medicalização do parto em perspectiva sócio-histórica

Março/2017

De Formato Foetu Liber Singularis. Adrian Van Den Spiegel, 1631.

A partir do século XIX, o parto ingressou no âmbito da medicina e, aos poucos, foi se transformando em um evento medicalizado. Esse processo se ampliou fortemente no decorrer do século XX, em diversas regiões do globo, trazendo importantes vantagens relacionadas, principalmente, à diminuição dos índices de mortalidade materna e neonatal. A intensificação da medicalização do nascimento, no entanto, também aponta para problemas, à medida em que a excessiva tecnologização tem gerado críticas e insatisfações, em especial no que concerne às consequências clínicas, físicas e emocionais do excesso de intervenções. O processo de medicalização do parto e suas consequências têm sido um desafio para a sociedade brasileira e vem mobilizando diferentes campos do mundo político, técnico e acadêmico. Os estudos realizados até o momento são importantes para se conhecer o panorama atual do parto, no entanto as transformações no processo de gestação e parto são pouco estudadas em perspectiva sócio-histórica. Para o número especial intitulado “A medicalização do parto em perspectiva sócio-histórica”, HCS-Manguinhos busca colaborações que reflitam sobre o processo de medicalização do parto em diferentes regiões do Brasil e de outros países, sob diversas perspectivas disciplinares, com ênfase em análises direcionadas às tecnologias, às práticas e à ampliação das intervenções médicas no processo de gestação e parto. O prazo para submissão de trabalhos para o número especial é 30 de setembro de 2017. Os originais poderão ser submetidos nos idiomas português, espanhol e inglês. Serão aceitos trabalhos para as seções Análise, Imagens, Nota de Pesquisa e Fontes. Consulte aqui as instruções aos autores de História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Somente serão aceitos originais encaminhados pelo sistema de submissão online. Leia o que já foi publicado sobre o tema em HCS-Manguinhos: Cesárea, aperfeiçoando a técnica e normatizando a prática: uma análise do livro Obstetrícia, de Jorge de Rezende. Nakano, Andreza Rodrigues; Bonan, Claudia; Teixeira, Luiz Antônio. Mar 2016, vol.23, no.1 A dinâmica hospitalar da Maternidade Dr. João Moreira, em Fortaleza, nas primeiras décadas do século XX. Medeiros, Aline da Silva. Set 2013, vol.20, no.3 Parirás sin dolor: poder médico, género y política en las nuevas formas de atención del parto en la Argentina (1960-1980). Felitti, Karina. Dic 2011, vol.18, suppl.1 Protagonistas, saberes e práticas da história do parto e da maternidade no Chile. Martins, Ana Paula Vosne. Dez 2009, vol.16, no.4 Direitos femininos no Brasil: um enfoque na saúde materna. Leite, Ana Cristina da Nóbrega Marinho Torres and Paes, Neir Antunes. Set 2009, vol.16, no.3 Mulheres, imprensa e higiene: a medicalização do parto na Bahia (1910-1927). Amaral, Marivaldo Cruz do. Dez 2008, vol.15, no.4 Assistência ao nascimento na Bahia oitocentista. Barreto, Maria Renilda Nery. Dez 2008, vol.15, no.4 Leia no blog de HCS-Manguinhos: A cesariana como parto ‘normal’ Artigo analisa como o livro Obstetrícia, de Jorge de Rezende, estimulou a apropriação e o desenvolvimento das técnicas de cesariana pelos médicos no Brasil A medicalização dos corpos brasileiros na nova edição de HCS-Manguinhos A violência cotidiana sobre o corpo da mulher é um dos temas do número editado por Ilana Löwy e Emilia Sanabria Ministério da Saúde lança protocolo com diretrizes para parto cesariana Objetivo é diminuir o número de cesarianas desnecessárias, uma vez que o procedimento, quando não indicado corretamente, pode resultar em morte materna e infantil  

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