1966: Igreja acaba com Index de livros proibidos

Abril/2015

Max Altman | Opera Mundi

galileu

Em 9 de abril de 1966, o Vaticano anunciou o fim do Index, a lista de livros proibidos de ler “por todo bom católico”, que por séculos tinha sido uma das marcas da Inquisição.

A primeira lista de livros proibidos foi adotada no quinto Concílio de Latrão, em 1515, e confirmada no Concílio de Trento, em 1546. A primeira edição data de 1557 com o título de Index Librorum Prohibitorum e oficializada em 1559 pelo papa Paulo IV. A 32ª edição, publicada em 1948, incluía 4 mil títulos.

O Index Librorum Prohibitorum é, literalmente, uma lista de publicações proibidas consideradas hereges pela Santa Sé. A Igreja sempre perseguiu linhas de pensamento divergentes, desde o início do cristianismo. O que realmente surpreendia era a relação dos nomes citados.

Autores importantes das ciências, da arte e da política, como Galileu, Voltaire, Victor Hugo, Copérnico, Maquiavel, Erasmo de Roterdã, David Hume, Pascal, Spinoza, Alexandre Dumas, Balzac, Zola, Locke, Diderot, Flaubert, Thomas Hobbes, Descartes, Berkeley, Rousseau, Montesquieu, Anatole France e Kant frequentaram a lista.

Os “indices” eram regras aceitas como um guia para o censor oficial da Igreja, que julgava se a obra tinha algo fora dos critérios católicos: qualquer deficiência moral, sexualidade explícita, incorreção política, superstição, paixões carnais, heresias. A obra, além de proibida, era muitas vezes queimada.

Em áreas tão diversas quanto Portugal, Polônia, o Québec e até o Brasil, essas regras tiveram grande efeito. Na época, era bastante difícil encontrar cópias de livros incluídos no Index. Alguns se tornaram obras raras e famosas por terem entrado na listagem.

Existia também a possibilidade de o autor reescrever toda a obra, omitindo alguns ou todos os fatos de acordo com os ideais da Igreja. No entanto, era proibido publicar qualquer livro sem a revisão e permissão oficial do papa. Até em 1910, o Papa Pio X emitiu duas cartas seculares proibindo qualquer estudo que tivesse a pretensão de examinar as origens e a história do cristianismo.

Bispos e inquisidores mantinham um critério estrito para inspecionar as impressões e todas as livrarias. Livros autorizados eram impressos com um carimbo de imprimatur (“que seja publicado”).

*Com informações do site www.misteriosantigos.com

Fonte: Opera Mundi

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