1859 – Charles Darwin publica ‘A Origem das Espécies’

Novembro/2015

Max Altman | Opera Mundi

Charles Darwin aos 51 anos, na época da publicação de ‘A Origem das Espécies’. Fonte: Wikicommons

O livro Sobre a A Origem das Espécies, obra científica seminal do naturalista britânico Charles Darwin, é publicado na Inglaterra em 24 de novembro de 1859. A teoria de Darwin defendia que organismos vivos evoluem através de um processo que chamou de “seleção natural”. Nela, organismos com variações genéticas que se adaptam ao seu meio ambiente tendem a propagar mais descendentes que organismos da mesma espécie aos quais faltam as variações, influenciando, por conseguinte a estrutura genética em geral das espécies.

Darwin, que foi influenciado pelo trabalho do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck e do economista inglês Thomas Malthus, constatou grande parte das evidências em favor de sua teoria durante a longa expedição de pesquisas a bordo do HMS Beagle nos anos 1830, que durou perto de cinco anos. Visitando lugares diferentes como as Ilhas Galápagos e a Nova Zelândia, Darwin adquiriu um conhecimento muito próximo da flora, fauna e geologia de muitas terras. Seus estudos sobre variação e cruzamento após retornar à Inglaterra, mostram-se incompatíveis com as informações colhidas e com o desenvolvimento de sua teoria de evolução orgânica.

A ideia da evolução orgânica não era nova. Tinha sido aventada antes, entre outros, pelo avô de Darwin, Erasmus Darwin, um insigne cientista inglês e por Lamarck, que no começo do século 19 desenhou o primeiro diagrama evolucionário – uma cadeia que levava de organismo unicelulares ao homem. No entanto, só com Darwin que a ciência apresentou uma explicação prática do fenômeno da evolução.

Controvérsia 

Frontispício da edição original de 'A origem das espécies', publicado em Londres em 24 de novembro de 1859.

Folha de rosto da edição original de ‘A origem das espécies’ (Londres, 24 de novembro de 1859)

Darwin havia formulado sua teoria da seleção natural em 1844, contudo mostrou-se cauteloso em revelar suas teses ao grande público porque contradizia flagrantemente a versão bíblica da criação. Em 1858, com Darwin ainda permanecendo em silêncio acerca de suas descobertas, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace publicou por sua conta um artigo que resumia a essência de sua teoria (1). Darwin e Wallace pronunciaram uma conferência conjunta diante da Sociedade Linnean de Londres em julho de 1858 (2). Darwin resolveu então preparar sua obra para publicação.

Trazida à luz em 24 de novembro de 1859, a primeira edição de  A Origem das Espécies se esgotou rapidamente. A maioria dos cientistas abraçou de imediato sua teoria, visto que resolvia inúmeros quebra-cabeças da ciência biológica. Contudo, os cristãos ortodoxos condenaram o trabalho como uma heresia (3). A controvérsia quanto as ideias de Darwin aprofundou-se com a publicação de uma série de livros sobre plantas e animais, em particular “A descendência do Homem e seleção em relação ao sexo” e “A expressão da emoção em homens e animais” nos quais expõe a evidência da evolução do homem a partir dos macacos.

À época da morte de Darwin em 1882, sua teoria da evolução já era universalmente aceita. Em homenagem ao conjunto de seu trabalho científico, foi enterrado na Abadia de Westminster ao lado de reis, rainhas e outras ilustres figuras da história britânica. Subsequentes desenvolvimentos na genética e na biologia molecular levaram a algumas mudanças no entendimento da teoria evolucionista, porém as idéias de Darwin permanecem até hoje como essenciais no campo da biologia.

Fonte: Opera Mundi

Nota do Blog: Segundo o físico  Ildeu Moreira, editor-adjunto de HCS-Manguinhos, não são corretas as seguintes informações no texto acima:

(1) “Em 1858, com Darwin ainda permanecendo em silêncio acerca de suas descobertas, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace publicou por sua conta um artigo que resumia a essência de sua teoria.” [Na realidade foi um artigo com as contribuições dos dois, apresentadas por Lyell e Hooke na Linnean Society, sem a presença de Darwin e Wallace, e publicado sem que Wallace tivesse conhecimento;

(2) “Darwin e Wallace pronunciaram uma conferência conjunta diante da Sociedade Linnean de Londres em julho de 1858. [Não houve tal conferência. Eles não estavam lá]

(3) “A maioria dos cientistas abraçou de imediato sua teoria, visto que resolvia inúmeros quebra-cabeças da ciência biológica. Contudo, os cristãos ortodoxos condenaram o trabalho como uma heresia.” [Não houve esta aceitação imediata ampla, embora muitos cientistas, em especial no Reino Unido, aderissem a ela]

Leia no Blog de HCS Manguinhos:

O Beagle no Brasil

Oceanos e mares na nova edição da revista HCS-Manguinhos

Viagem de Maximiliano de Wied do Rio a Salvador entre 1815 e 1817 é tema de projeto

Desenhos e aquarelas de Conrad Martens no Beagle estão online

Artigos no Dossiê Darwinismo de HCS-Manguinhos (volume 8, número 3, de set/dez 2001

Teoria social e biologia: perspectivas e problemas da introdução do conceito de história nas ciências biológicas, por Ricardo Waizbort

História e filosofia da ciência: uma abordagem filogenética, por James G. Lennox (em inglês)

Uma breve história da teoria evolutiva, por Edson Pereira da Silva (em inglês)

O conceito de natureza em A origem das espécies, por Anna Carolina K. P. Regner

O salto qualitativo em Theodosius Dobzhansky: unindo as tradições naturalista e experimentalista, por Aldo Mellender de Araújo

Ser ou não ser consiliente: eis a questão, por Eduardo Rodrigues Cruz

De Darwin, de caixas-pretas e do surpreendente retorno do ‘criacionismo’, por Maurício Vieira Martins

Em outras edições:

Darwin: entre Paley y Demócrito, por Gustavo Caponi (vol.10, no.3, dez 2003)

Das intermináveis incursões de Darwin pelo Brasil, pela América Latina e pelo mundo. Por Andre Luis de Lima Carvalho, (vol.20, suppl.1, nov. 2013)

 

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